O arquiteto japonês Sou Fujimoto, a urbanista franco-brasileira Elizabeth de Portzamparc, e o designer italiano Ferruccio Laviani farão palestras no evento que inicia terça-feira em São Paulo. Veja porque vale a pena assistir a essas estrelas internacionais

Todos os anos, a Expo Revestir traz renomados profissionais para dividir experiências e compartilhar conhecimento com os visitantes no Fórum Internacional de Arquitetura, Design e Construção. Os nomes internacionais da 17ª edição são o designer italiano Ferruccio Laviani, com bate-papo em 14 de março às 14h; a arquiteta e urbanista franco-brasileira Elizabeth de Portzamparc, em 15 e março, às 14h30, e o arquiteto japonês Sou Fujimoto, com palestra nesse mesmo dia, às 15h30. Conheça o trabalho de cada um desses profissionais.

Fotos: Reprodução/ArchDaily, Reprodução/Dezeen e David Vintiner

Sou Fujimoto

O arquiteto nasceu em 1971 em Hokkaido, segunda maior ilha do arquipélago japonês, local com grande concentração de florestas. Durante a infância, costumava brincar entre as árvores e essa conexão se mantém até hoje. Formado em arquitetura pela Universidade de Tóquio e um dos mais influentes profissionais nipônicos, tem como uma de suas marcas incorporar a natureza nas casas e nos prédios que projeta, o que o tornou mundialmente conhecido.

Em 2013, considerado uma “aposta de risco” dos organizadores do Serpentine Gallery Pavillion, de Londres, Fujimoto, aos 41 anos, foi o profissional mais novo a aceitar o desafio de construir uma estrutura temporária dentro dos Kensington Gardens, após participações em edições anteriores de nomes como Zaha Hadid, Tokyo Ito, Álvaro Siza e o brasileiro Oscar Niemeyer.

Tubos de 20 mm criaram a estrutura geométrica da instalação de 350 m², que lembrava o formato de uma nuvem. Vazado, quase transparente, o projeto se mimetizava ao verde do parque e convidava seus visitantes a escalar as plataformas para apreciar a vista. Ficou aberto ao público por apenas três meses, durante o verão europeu, tempo suficiente para lançar Sou Fujimoto no rol dos arquitetos célebres. Hoje, ele tem escritórios em Tóquio e Paris.

Na galeria acima, fotos de outros espaços assinados por ele, como o centro educacional na Universidade de St. Gallen, na Suíça (em desenvolvimento); o Village Vertical, um empreendimento de 28 mil m² de uso misto em Rosny-sous-Bois, cidade na França; o projeto para o concorrência do Joia Meìridia, bairro com 800 residências, um hotel, lojas e escritórios cercados por espaços públicos, em Nice, também na França; e a emblemática casa NA, em Tóquio, de três andares, revestida de vidro, o que questiona os padrões de privacidade.

Fotos: Reprodução/Studio Laviani

Ferruccio Laviani

Nasceu em Cremona, na Itália, em 1960, mas foi só aos 26 anos que iniciou sua caminhada para se tornar uma das referências quando o assunto é desenho bem executado. Ferruccio Laviani cursou ao mesmo tempo duas faculdades: design na Scuola Politecnica di Design in Milan, de 1982 a 1984, e a de arquitetura, no Politecnico di Milano, onde se formou em 1986. Trabalhou em início de carreira com Michele De Lucchi e abriu seu próprio estúdio em 1991, em Milão, mesmo ano em que se tornou o Diretor de Arte da Kartell, cargo que ocupa até hoje. Entre seus clientes estão marcas de luxo como Cassina, Dolce e Gabbana e Veuve Cliquot.

Para a Kartell, seu mais recente lançamento foi a luminária Big Battery, de 2018, uma peça, como o nome já aponta, movida a bateria. Quando 100% recarregada ao ser conectada na tomada, permite 8 horas de uso. A ideia foi criar uma peça que possa ser facilmente transportada e usada em ambientes internos e externos. O italiano criou também a luminária Bourgie, em 2004, um dos best-sellers da marca até hoje.

Para a Fratelli, idealizou três séries, no mínimo, inusitadas. No Salão do Móvel de Milão, em 2013, apresentou a série Good Vibrations, com mobiliário que imita uma foto distorcida digitalmente. Já a coleção D/Vision, de 2017, também surpreende ao criar novas formas para um armário ao propor recortes inesperados no móvel. A coleção F* the classics propõe uma releitura de clássicos com intervenções excêntricas, como a junção de modelos diferentes de sofás em uma única peça e o recorte e pintura com cores neon de mesas e aparadores.

Entre suas criações para a Emmemobili, chama a atenção o armário Portico, com estrutura arredondada, a estante Coin, suspensa e instalada propositalmente torta na parede, e a luminária Two em formato do número 2. Já para a Frag, destaca-se a coleção Bak, com linhas retas e elegantes com cabideiro, mesa, banco e armário.

Fotos: Steve Murez, Wade Zimmerman e Nicolas Borel. 

Elizabeth de Portzamparc

Nascida no Rio de Janeiro, tinha desde cedo o desejo de estudar e morar na França. Em 1969, devido sua militância contra a ditadura militar, o sonho se realizou mais cedo: inscreveu-se na Universidade Sorbonne, e se mudou para a capital francesa, onde mora até hoje.

Nos últimos anos, tem vencido importantes concursos internacionais. Um de seus projetos de destaque é o Museu de la Romanité, em Nîmes, no sul da França, inaugurado em julho de 2018. Localizada ao lado de ruínas romanas e com esta civilização como tema, a construção faz um contraponto entre os prédios separados por dois mil anos de história. Traz uma arquitetura contemporânea fluida, na qual os drapeados horizontais parecem levitar.

É responsável pelo projeto em construção da nova estação metropolitana do Grand Paris, em Le Bourget, uma das principais portas da capital francesa, e pela proposta vencedora da Biblioteca do Campus Condorcet, em Aubervilliers, também na França, que abrigará os catálogos de 45 bibliotecas especializadas em Ciências Humanas e Sociais.