“Vaivém” exibe obras de 141 artistas e designers relacionadas ao artefato de identidade brasileira

Os cinco pisos do edifício do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, foram tomados por redes de dormir dos mais variados modelos, materiais e cores. Trata-se da exposição “Vaivém” com cerca de 350 obras de coleções públicas e privadas, algumas especialmente criadas para o projeto. Dividida em seis núcleos temáticos, a mostra contempla pinturas, esculturas, instalações, fotografias, móveis, vídeos e documentos datados do século 16 ao 21.

A proposta do curador Raphael Fonseca, do MAC-Niterói, foi trazer à tona sua pesquisa do doutorado que investigou as relações entre esse objeto e a construção da identidade brasileira. Raphael escolheu 141 artistas de distintos contextos sociais, períodos e regiões, para ilustrar os usos da rede na arte e na cultura visual do país.

Há representações de Bispo do Rosário, Claudia Andujar, Djanira, Ernesto Neto, Helio Oiticica, Mestre Vitalino, J. Borges, Tarsila do Amaral, Tunga, além de modelos feitos por artistas indígenas contemporâneos. A pesquisa do curador se estendeu ao design, trazendo para a exposição a Sertaneja, rede de couro desenvolvida pelo jovem alagoano Rodrigo Ambrosio em 2016 para o Grupo Design Armorial, e poltronas inspiradas no tema, como a Tripé, de Lina Bo Bardi, a Mole, de Sergio Rodrigues, e a Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha. “É interessante pensar que o objeto popular e artesanal vira um artefato de luxo no século 20 quando os designers se apropriam dessa forma e criam peças para as casas modernas do Brasil”, analisa Raphael.

Chama a atenção também a instalação interativa do coletivo Opavivará!, com um exemplar gigante para deitar e se balançar ao som de chocalhos. Depois de São Paulo – até 29 de julho (das 9h às 21h, exceto terças), a exposição percorre os CCBB de Brasília (setembro/2019), Rio de Janeiro (dezembro/2019) e Belo Horizonte (março/2020). A entrada é gratuita

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