A mais longeva e tradicional premiação do país reúne 91 projetos entre móveis, luminárias e eletroeletrônicos

A 33ª edição do Prêmio Design MCB selecionou 64 produtos, sendo 29 premiados, e 27 trabalhos escritos para compor sua exposição anual, de 23 de novembro a 8 de março. Os vencedores foram escolhidos, dentre 559 inscritos, por duas comissões independentes de jurados. No sábado, também nas dependências do museu, inaugura o painel Pioneiros do Design Brasileiro com a trajetória de José Zanine Caldas. O lançamento do livro sobre esse arquiteto e designer baiano acontece, das 14h às 15h30, com mesa de debate, organizada pela Editora Olhares, na qual participam: o arquiteto Alexandre Penedo e as autoras da publicação, Amanda Beatriz Palma de Carvalho e Maria Cecilia Loschiavo.

Além da exposição, o MCB disponibiliza aos 1º, 2º, 3º lugares e menções honrosas um selo para ser utilizado em embalagens e em peças gráficas impressas e digitais que fazem referência aos trabalhos vencedores. “O Prêmio Design Museu da Casa Brasileira tem como principal objetivo reconhecer a excelência do design brasileiro, valorizar a atuação dos profissionais e, consequentemente, incentivar e fortalecer a área”, explica Miriam Lerner, diretora-geral do MCB.

Confira abaixo a lista de premiados na categoria Produtos:

MOBILIÁRIO

1º lugar: mesa Alfa 7, de Lourenço Gimenes, Fernando Forte, Rodrigo Marcondes Ferraz e Gabriel De la Cruz Mota. Escritório: FGMF Arquitetos.

Texto do juri: A mesa Alfa 7 provoca o olhar do observador. O tampo de grandes dimensões, com diâmetro de 2,10 m, parece flutuar, apoiado sobre delgados tubos de aço. A borda de fina espessura deste tampo é resultado da opção pelo concreto Ductal, mais leve que o concreto tradicional e que se diferencia por não exigir armação metálica interna. Outro ponto marcante da peça é que os tubos de aço de apoio atravessam o tampo, formando um desenho assimétrico na superfície da mesa. A opção pelo concreto e aço também permite que a Alfa 7 seja utilizada em áreas internas e externas.

2º lugar: Cadeira Bel, de Lourenço Gimenes, Fernando Forte, Rodrigo Marcondes Ferraz e Gabriel De la Cruz Mota. Escritório: FGMF Arquitetos. Produção: Tramontina.

Texto do júri: O desenho claro, a leveza da estrutura e a forma de encaixe original das peças de madeira no assento e do encosto são os aspectos que chamam a atenção na cadeira Bel. O conforto ao sentar e o baixo preço final tornam a peça um exemplar de destaque na categoria de cadeiras versáteis, podendo servir para mesas de jantar e escritório. O detalhe do encosto, que pode ser usado como alça para pendurar toalhas, é um ótimo adicional para o uso em hotéis.

3º lugar: Escrivaninha Désqui; de Fernando Prado. Produção: Dpot.

Texto do júri: Os elementos construtivos dessa peça não são óbvios. Os pés são cilindros de madeira maciça fixados fora do plano do tampo e não nos quatro cantos como numa mesa comum.  O rasgo no tampo e gavetinha também é uma solução interessante para resolver a questão da fiação dos eletrônicos e luminárias. A gaveta esconde os fios e esses passam por um dos pés até o chão. E as gavetas, por serem muito baixas, se incorporam bem ao tampo, passando quase despercebidas. Esses elementos conferem delicadeza à peça, que pode ser usada em diversos lugares da casa, extrapolando o estereótipo de escrivaninha.

Menção Honrosa:
Cama NoMad, de Fernando Diehl, do StudioFDHL. Produção: Yellow Cube.
Buffet Pinhim; de Bruno Rangel. Produção: Dpot.

ILUMINAÇÃO

 1º lugar (empate): u.f.o., de Fernando Prado. Produção: Lumini.

Texto do júri:O desenho das luminárias captou a imaginação do júri com unanimidade. Inspirada no universo dos discos voadores, a família é composta das versões luminária de mesa, de piso e de dois tamanhos de pendentes, cujos atributos se repetem de modo consistente. Destacamos a simplicidade e a elegância do desenho e sua inspiração temática manifestada na forma. Nas versões mesa e piso, a cúpula em formato de disco é orientável em torno da haste, com a angulação máxima definida com precisão. A fonte da luz é controlada por uma trama minúscula de grelha antiofuscamento que se espalha de forma gradual em sua superfície.

1º lugar (empate): Duna, de Domingos Pascali e Sarkis Semerdjian. Produção: Lumini

Texto do júri:As luminárias de mesa exploram de maneira inédita e criativa o controle mecânico da intensidade da luz emitida, empregando nesse processo grãos de areia. A economia de materiais (alumínio e acrílico), que juntos compõem o binômio opaco-translúcido, aliada à simplicidade da forma geométrica (uma circunferência) resultam em uma luminária lúdica, que traz em sua essência referências inconscientes à passagem do tempo, numa livre associação às ampulhetas. O emprego da areia como “dimmer mecânico” e o perfeito funcionamento do sistema através do livre manuseio da luminária evidenciam o cuidado com a produção e a expertise na escolha da fonte luminosa.

3º lugar: Urbana, de Roberta Banqueri, do escritório Pontoeu. Produção: Indústria de Móveis Martina.

Texto do júri:A luminária se destaca pelo desenho objetivo e possibilidade de composição, além da combinação inusitada de materiais, como madeira, pedra sabão e metal. A peça é composta de uma ponta chanfrada, fonte luminosa cavada em um cilindro de madeira e base metálica ou em pedra. São duas possibilidades de montagem, na vertical, quando encaixada na pedra, ou inclinada com apoio na base metálica e com o chanfro escorado na parede. O direcionamento da luz difusa de lâmpada tubular pode ser rotacionado completamente nas duas possibilidades de apoio.

 

Menção Honrosa:
ABJ10, de Ricardo Fahl de Oliveira. Produção: OmegaLight.
Linha Piano, de Ricardo Heder. Produção: Reka Iluminação.
Luminária Wé, de Dimitrih Correa. Escritório: Dimitrih Correa Bespoke Atelier.

UTENSÍLIOS

2º lugar (empate): Alquimia, de Carl Kawasaki.

Texto do júri: É sempre gratificante ver que o design sempre terá espaço para reinventar produtos comuns que há tanto tempo compõe nosso cotidiano. Para isso, é preciso ter observação aguçada e grande capacidade de investigação. Diferentemente do resto da família de alicates, o de cutícula tem uma peculiaridade: necessita mais de precisão do que de força. Este projeto quebra com o arquétipo da categoria em busca de um desenho que priorize o manejo fino ao manejo grosseiro das mãos. A partir desta constatação, o designer conseguiu alcançar uma resolução formal que alia sua funcionalidade com forte apelo estético, que tem o potencial de criar nova identidade para sua categoria.

2º lugar (empate): Cevador de Chimarrão Chimafácil, de Fabricio Augusto Kipper, Saulo Padoin Chielle. Produção: Chimafácil Ltda.

Texto do júri:Existe um mérito especial quando o designer é capaz de criar um novo produto, ao invés de redesenhar os existentes, principalmente quando este produto é, de fato, capaz de facilitar a vida dos usuários. O preparo do chimarrão requer habilidade e isso faz parte da tradição. No entanto, esta dificuldade pode afastar novos consumidores. O cevador Chimafácil facilita o preparo para iniciantes. Este produto levanta questionamentos importantes acerca de como o design pode/deve enfrentar o desafio do novo em contraposição ao hábito e à tradição.

3º lugar: Coleção Nulo; de Robson Tomoki Hamasaki, Lawson Daiki Hamasaki. Produção: Lunethier.

CONSTRUÇÃO

1º lugar: Acqua Due, purificador de água com torneira para mesa e parede, de Fabio Mauricio Faria Melo e Cristiane Grecco Dias Rodrigues. Produção: Lorenzetti.

Texto do júri:Este purificador de água com torneira combinada – disponível em duas versões, de mesa e de parede – destaca-se de outros produtos semelhantes existentes no mercado, pelo seu desenho elegante e enxuto. Proporciona em um só produto o acesso à água purificada e a água normal de uso, com acionamento simples e intuitivo. As saídas de água estão incorporadas em uma única peça pivotante com dois orifícios distintos para a água de uso da pia e a água filtrada. Suas peças são intercambiáveis, o que permite a substituição do filtro, eventuais reparos e necessita de apenas um ponto de água para a sua instalação.

2º lugar: tijolo Cappuccino, de Lincoln José Lepri e José Lepri Neto. Produção: Lepri Cerâmicas.

3º lugar: cobogó Elemento, de Carlos Henrique Bianco e Felipe Guerra Assumpção.

Menção honrosa:
Loren Neo, torneira para lavatório de Fabio Mauricio Faria Melo, Jorge Garrido Garcia e Cristiane Grecco Dias Rodrigues. Produção: Lorenzetti.

Menção honrosa: Blodec, sistema de bloco modulares de resina para cabines de banho e divisórias de ambientes, de Rubens Szpilman. Produção: Squalus.

ELETROELETRÔNICOS

1º lugar: máquina de lavar Brastemp 12Kg Titânio Água Quente com Ciclo Tira Manchas Pro e Ciclo Antibolinha, de Francesca M. Rech, Marcos L. Costa, Rogerio Possamai Jr., Paulo M. Petry, Marina B. Cabral, Rodrigo G. Dias e Renzo Menegon. Produção: Whirlpool Corporation.

Texto do júri:A máquina de lavar Brastemp Top Load apresenta como diferencial vidro amplo, aumentando a capacidade percepção visual do cesto, tampa com fechamento suave e sem impacto. O acabamento premium na cor Titânio inova em um segmento de entrada. Seu design minimalista realça a sofisticação nos acabamentos e detalhes do produto e a fluidez entre painel e tampa valorizam a visualização das informações. O produto entrega performance superior e estética alinhada com tendências dos novos espaços e eletrodomésticos.

2º lugar: Brastemp B.blend As.Plug, de Francesca M. Rech, Victor H. Fagundes, Marina B. Cabral, Felipe B. Scremin e Renzo Menegon. Produção: Whirlpool Corporation.

Menção Honrosa:
Scopabits; de Erica Sayuri Ide Scopacasa, Victor Vincenzo Ide Scopacasa.

Aquecedor Elétrico  com comando wi-fi  Stang; de Rodrigo Cesar Leme Silva, Juliano Gheno, Mariana Stangherlin Rigo, Lourenço Stangherlin, Thiago Viana, Lucas Durán, Gabriel Altenhofen, Guilherme Cardoso, Milene Becke. Escritório: Grupo Criativo.

TÊXTEIS

1º lugar: Botânica, de Nara Evangeline Guichon Ferrari.

Texto do júri:Da grande variedade de espécies de plantas encontradas na biodiversidade brasileira surge a coleção BotânicaBotânica compõe uma coleção de 5 bandeiras confeccionadas a partir de uma técnica de estamparia 100% manual, que se utiliza da qualidade dos vegetais para sua feitura. Os elementos impressos são rastros das folhas, flores e raízes que tingem de forma natural o tecido de lã, a partir do processo conhecido por impressão botânica. É um projeto sólido que se destaca por reforçar aspectos de saberes culturais, demonstrar preocupação com o meio ambiente em todas as etapas de produção e que não atropela etapas do processo criativo. Além disso, apresenta um resultado de alta sofisticação estética e com visível domínio da técnica, com poéticas e marcantes combinações de formas e cores.

2º lugar: Mareando, de Nara Evangeline Guichon Ferrari.

Menção Honrosa:
ECO Metalasse; de Lorena Andrade V. Beldi e Laura Andrade Vieira, do LLAS. Produção: LLAS Confecção de roupas.

TRANSPORTES

1º lugar: planador QR-15 Larus, de Quintino Romagna Filho.

Texto do júri: O planador que foi apresentado ao Prêmio do Museu da Casa Brasileira de Design é um equipamento bem desenhado, elegante e com excelente capacidade em sua classe esportiva. Com um custo relativamente baixo, permitirá que um maior número de praticantes possa ter acesso ao esporte. Embora seja um esporte de nicho, há um mercado importante, principalmente no sentido de sua perenidade. Os amantes do voo à vela não trocam de esporte facilmente, e muitos se transformam em profissionais na área da engenharia, manutenção e pilotagem. Utilizando técnicas e materiais de alta performance, o QR-15 nos oferece novas concepções de projeto e execução, atualizando assim a frota disponível para os praticantes.

Menção Honrosa:
WM Motor EX-6 Limited Full Electric SUV, de Leandro Trovati Maciel e Rodrigo de Araújo Oliveira. Produção: Aplus Idiada.
WoW; de Wilson Meneguci Junior.