De olho nas novidades em feiras e eventos especiais, mostramos os nossos favoritos

A indústria de mobiliário não teve descanso no tradicional mês de férias escolares. Tivemos a feira Abimad, que se encerra hoje (26); o lançamento da coleção West East, da Ornare, com armários e estantes para diversos ambientes da casa; e eventos paralelos destinados a lojistas do país, como o da marca Sitti Design, no Meliá do Ibirapuera, em São Paulo. Nessa pesquisa de lançamentos, tivemos a oportunidade também de conversar com alguns designers, que nos contaram sobre seus novos produtos. Veja nossa seleção e a entrevista com o paulista Tiago Curioni, autor do balanço Oca, que vive hoje em Portugal.

poltrona Cordel, criada pelo mineiro Alê Alvarenga para a Modalle, foi desenvolvida para evidenciar ao máximo o tricô no estofado. “O material nada mais é que uma cápsula de polietileno revestida com espuma de PMMA, resistente de 180 graus a -50 graus C. Também não absorve chuva e tem solidez à luz solar”, conta o designer. A inspiração veio das mantas colocadas abaixo das selas das montarias e o sentido gestual do desenho privilegia a ergonomia. De linhas limpas e delicadas, o móvel remete a uma escultura.

A dupla do Mula Preta, André Gurgel e Felipe Bezerra, desenharam diversas peças para a marca Sitti Design, que mostrou nesta semana sua coleção de móveis para lojistas. A mesa de jantar Stones, que caímos de amores, foi inspirada em rochas empilhadas. A natureza, aliás, é um tema recorrente na produção do estúdio potiguar.

Depois de lançar a coleção West East no Salão do Móvel de Milão, em abril, a Ornare montou seu showroom na al. Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo, com estantes e armários para closets, cozinhas e home office. Idealizada pelo designer Ricardo Bello Dias, diretor criativo da marca, as novas linhas, inspiradas em diferentes civilizações, trazem composições em diferentes materiais e acabamentos. Como destaques, elegemos a Shaker, com molduras que dão múltiplas possibilidades de personalização do produto e permite pendurar objetos do cotidiano nas paredes; a Ikigai, com estantes de estruturas metálicas de linhas minimalistas e cores adoráveis; e os Little Luxuries, gabinetes que podem ser usados como adega, home office ou penteadeira.

De passagem por São Paulo para lançar o balanço OCA, da Mestre Artesão, na feira Abimad, o designer Tiago Curioni nos concedeu esta entrevista antes de voltar a Portugal, país onde está residindo.

Como nasceu o projeto do Oca?

Em Portugal, onde estou morando, recebi uma ligação do Júlio e da Paula, os responsáveis pela Mestre Artesão, me pedindo o desenho de um balanço. De cara sugeri algo que fosse versátil, já que balanços não são tão procurados assim. Queria uma peça que justificasse a aquisição por parte do cliente e se tornasse um ponto de destaque no décor. Nesse pensamento, desenhei um balanço para uma, duas ou até três pessoas juntas. Acho, porém, que o trunfo foi permitir o deitar nele, como em uma rede. Pelo menos eu gostaria de utilizar assim, deitado!

Qual foi sua inspiração?

Eu sou fascinado pelo design japonês e vejo algumas semelhanças com o design feito em Portugal, que se baseia numa simplicidade absoluta e na racionalização extrema de formas e materiais. Isso me encanta e, particularmente, acho muito mais complexo de desenhar quando partimos desta premissa da simplicidade. Difícil, é desenhar o óbvio. Pensei em uma forma que pudesse ser replicada de modo idêntico e, por si só, construir a peça toda. Assim, surgiram os três elos oblongos, que são leves, resistentes e de fácil instalação na casa do usuário, seja outdoor ou indoor.

Que materiais empregou e por quê?

A expertise da Mestre Artesão são os móveis de área externa. Trabalhamos com o alumínio, que se justifica pela leveza e resistência, algo inerente para um balanço. A trama é de fibra sintética, mas com um acabamento estonado, de toque aveludado e que se assemelha ao couro. Esse aspecto natural é importante a uma peça como esta, que pode ser instalada em um galho de uma grande árvore, por exemplo. Visualizei a peça pronta na natureza. O travesseiro é um convite ao deitar, quase que irresistível e inevitável.

Como se deu sua mudança para Portugal?

Há anos já ensaiava essa mudança, seja por questões de carreira, seja por qualidade de vida. No campo profissional, me interessa muito fazer negócios entre minha empresa no Brasil e a que abri na Europa. Procurei me instalar no Norte de Portugal, lugar conhecido pela fabricação de móveis. Os acordos bilaterais entre os países me atraíram e, com as novas propostas econômicas entre Mercosul e União Europeia em cima da mesa, acredito que a estratégia tenha sido acertada…vamos ver! Além disso, procurei fazer um mestrado em design Industrial e de Produto, que tem sido decisivo na forma como trabalho, aperfeiçoando os processos que utilizo no dia a dia do estúdio. O estúdio em São Paulo continua a pleno vapor e o do Porto, já assina peças para fábricas de Portugal, que vão de movelaria, iluminação e objetos em geral.

Quais suas expectativas por lá e os planos futuros?

Uma realização pessoal foi ter fabricado produtos fora e já apresentá-los durante o Salão de Milão deste ano. Além de ter tido o trabalho publicado por revistas portuguesas, o que não é muito comum por lá. meu foco está em trabalhar com as indústrias portuguesas que tem por objetivo a exportação para o mercado europeu e asiático, e queremos que elas saibam que o estúdio está lá para ajudá-las a conquistar esse lugar de destaque no mercado mais concorrido do mundo no setor. Até agora, a experiência tem sido positiva.