Projeto do paisagista Roberto Riscala trouxe cor e suavidade para a casa de quatro andares em Cachoeira do Sul

Fotos: Claudio Fonseca.

Com 500 m² e quatro pavimentos, a casa da fazenda foi erguida em um extenso terreno gramado sem lazer e atrativos, o  que dificultava seu uso pela família gaúcha. Para mudar esse cenário, foi chamado o paisagista Roberto Riscala, de São Paulo, que operou uma transformação no lugar, criando um pergolado com áreas de convivência e uma refrescante piscina para a diversão de filhos e netos. O profissional selecionou ainda dezenas de espécies perenes, resistentes à variação de temperatura. Nesta entrevista, Riscala detalha o projeto e suas escolhas.

O canteiro de rosas brancas enfeita a fachada da casa. Fotos: Claudio Fonseca.

Como nasceu este jardim?

A grande reclamação do proprietário era que ninguém desejava ir à fazenda. Não tinha piscina nem churrasqueira, não tinha lugar de sombra. E, no Rio Grande do Sul, ou faz muito calor ou muito frio. Ele achava que a casa isolada no meio do gramado tinha um visual pesado. Comecei projetando um pergolado, junto do imóvel, onde já existia uma lareira externa sem uso. Ali, fizemos três ambientes, decorados pelo Mauricio Pinheiro Lima, de Curitiba: estar, área de refeições e churrasqueira. O Mauricio também projetou a casa. Desenhei a piscina, revestida de pedra verde da Palimanan, e, em volta dela, apliquei piso da Solarium, o mesmo escolhido para os ambientes internos. Acho importante ter elementos que criem esse diálogo entre o exterior e o interior. Como o modelo já havia saído do catálogo, a Solarium fabricou o piso exclusivamente para esses clientes. Além dos dois materiais, usei uma faixa de paralelepípedos no piso. Já o jardim funcionou como moldura para essas construções, tanto da casa como dos espaços que eu projetei.

De flores azuis, os arbustos de bela-emília emolduram uma das laterais da construção. Fotos: Claudio Fonseca.

Qual foi o grande desafio?

Harmonizar várias espécies em uma extensão de 5 mil m² é um grande desafio. E, no Rio Grande do Sul, o clima é outro, são outras plantas, muito vento. Se você não souber trabalhar a vegetação, você perde tudo. Outro exemplo disso é Búzios, no Rio de janeiro, com características climáticas muito específicas. Eu já tive de refazer um jardim inteiro por causa do vento de lá. Aqui, selecionei plantas que suportassem as diferenças de temperatura, que variam muito durante o dia. Usei muito capim de cores variadas: azul, vermelho e branco. Espécies, como o texas, o rubro, o do pampas, que não requerem manutenção diária, só corte.

No pergolado, a cobertura metálica com policarbonato recebeu esteiras de bambu. Nesse bloco revestido de pedra da região, concentra-se banheiros e área de lavar pratos, que fica por trás da porta de correr. Fotos: Claudio Fonseca.

Que outras espécies você plantou no jardim?

Plantei Álamos na entrada para criar proporção com a altura da casa. São árvores compridas, frequentes na Toscana italiana e chegam a alcançar 30 m. Gosto muito de vê-las dançando ao vento. Usei também muito plátano, árvore típica do Canadá. Ela perde as folhas antes do inverno, por isso resiste melhor às baixas temperaturas. Escolhi plantas que dão flor e, não, flores.

Na vista para o lago artificial, flores de congéia tingem a paisagem de rosa. Fotos: Claudio Fonseca.

Por quê?

Para que eles não precisassem trocar de tempos em tempos. Plantei rosas brancas, espécie que eu dificilmente uso, mas lá ficou um espetáculo porque são perenes e a cada dia ficam mais bonitas. Deixei as congéias, com flores rosas, se esparramarem pelo terreno. Essa trepadeira era a preferida do Burle Marx. Para a lateral da casa, escolhi bela-emília, com flores azuis. Este é um jardim que não requer troca, só limpeza e poda.

Da esq. para a dir., capim branco, capim rubro, plantado em terreno mais profundo, e um pé de álamo. Foto: Claudio Fonseca.

Você privilegiou o orgânico…

Sim, porque essas formas e volumes tiraram a rigidez da casa. Tudo era muito reto: construção, pergolado, piscina. O jardim trouxe a suavidade necessária e os proprietários ficaram muito satisfeitos com o resultado. Me convidam sempre para visitar o lugar e ver como o terreno está bonito.

O deque foi projeto de Riscala, que plantou primaveras pelo caminho que leva ao lago. Fotos: Claudio Fonseca.