Aos 81 anos, o arquiteto e urbanista mostra, pela primeira vez em São Paulo, a linha de móveis de metal de sua autoria

Habituado a planejar cidades há cinco décadas, o curitibano Jaime Lerner, o mais premiado urbanista do país e um dos mais influentes do mundo, traz para a SP-Arte cinco peças de chapa de aço carbono desenvolvidas em parceria com a arquiteta Samira Barakat, sócia na Jaime Lerner Design, escritório fundado em 2015. “Quero mostrar o bom design: móveis práticos, bonitos, duráveis e sem frescura. Móveis nos quais as pessoas possam usufruir com prazer em suas casas ou em áreas públicas”, disse ele.

Essa não será a primeira vez que Lerner exibe mobiliário assinado. A estreia aconteceu em 2016 com a namoradeira Duo, fabricada para o Projeto Viés, selo criado pelos designers Ronald Sasson, Zanini de Zanine e Flávio Franco com a intenção de valorizar o design autoral brasileiro. “Ao visitá-lo no escritório, descobri que ele já tinha uma série própria de móveis em maquetes, produzidas em chapa de alumínio”, recorda-se Sasson. “Ele topou fazer parte do nosso grupo e nos deu liberdade para produzir a peça que quiséssemos.” Acabaram optando pela namoradeira e o lançamento ocorreu em Curitiba, onde o exemplar foi leiloado em prol de uma instituição de caridade.

No mesmo ano, Lerner lançou a chaise-longue Urca, uma homenagem ao Rio de Janeiro, e fabricada de fibra de vidro com estrutura de aço carbono pela empresa paranaense Artesian. “Enxergo um traço de época em seu desenho, contínuo e ritmado, como era também o de Oscar Niemeyer. As estações de ônibus em formato de tubo projetadas para Curitiba são exatamente isso: um traçado simples de uma chapa de aço com rasgos de vidro”, comenta Ronald Sasson.

O metal, onipresente na obra urbana, também é a matéria-prima favorita na hora de pensar o mobiliário. “É um material de simplicidade extrema, que possibilita criatividade, rapidez e dobraduras, e eu gosto muito de dobrar”, explica Lerner. Na atual coleção, chapas de aço carbono, cortadas e dobradas por uma metalúrgica de Curitiba, dão forma ao balanço Lua Turca, à poltrona M e aos bancos W e Toin oin oin – esse último pintado de vermelho Ferrari, como ele gosta de frisar.

Única e original, a produção de Jaime Lerner não se esgota nessas novidades. Segundo Samira Barakat, há de dez a 20 móveis ainda a serem lançados. “Sempre que eu encontro Jaime no escritório, ele tem um papel ou um guardanapo com o desenho de uma nova peça para me mostrar”, diz a sócia, que conta ainda sobre a intenção de levar mais um item para a SP-Arte, além dos cinco já previstos. O nome e o tipo de móvel, no entanto, ela se nega a revelar.