Designer holandesa comenta sobre seu lançamento para a marca suíça Vitra: o sofá Vlider

Há alguns anos, a holandesa Hella Jongerius ocupa o cargo de diretora de arte de cores e materiais na consagrada Vitra. Nessa trajetória, desenvolveu peças como o sofá Polder e a cadeira East River. Em seu trabalho com têxteis, cerâmicas e móveis, ela vem explorando a importância das cores e das superfícies no design contemporâneo. Nesta edição da Semana de Design de Milão, a designer apresentará o Vlinder, um sofá de alta costura que combina o artesanal com as possibilidades da tecnologia digital. Nesta entrevista por e-mail, Hella conta sobre esse desafiador projeto.

Quais as novidades da Vitra na Semana de Design de Milão?

Vamos lançar muitos produtos: o sofá Vlider, assinado por mim; o Grand Relax, de Antonio Citterio; vasos de Erwan & Ronan Bouroullec; a poltrona Eames Plastic, entre outros. Para a área corporativa, a Vitra mostrará o Soft Work, de Edward Barber e Jay Osgerby, e a cadeira Rookie, de Konstantin Grcic.

Qual é o conceito do sofá Vlinder?

Como designer, devo dizer que projetar sofá é uma tarefa bastante difícil. Esse é um objeto muito presente quando você entra em uma casa. Também é muito difícil inovar com sofás. Há tantos desenhos! Você precisa de uma boa razão para fazer um novo modelo. Isso desperta a motivação para encontrar a melhor maneira de inovar nessa área. Além disso, sofá é um objeto grande, por isso não deve ser muito alto, mas, por outro lado, você pode explorar o tecido, então, com o Vlinder, eu projetei um sofá que sobressai pelos tecidos.

O que isso significa?

A característica mais proeminente do Vlinder é sua capa: uma sobreposição de grande padrão em jacquard macio, confortavelmente colocado sobre o corpo do sofá. O design é uma colagem de formas abstratas em várias encadernações. Embora clássico na forma, ele também é macio e informal. O que faz esse design especial é o uso de um tecido cuidadosamente elaborado. O sofá demonstra como o artesanato e a indústria podem ser combinados para criar uma montagem têxtil exclusiva.

Como vocês chegaram a esse resultado?

Com o Vlinder, sabíamos desde o começo que o tecido faria a diferença. Então começamos a pesquisar. E precisávamos nos perguntar: onde vamos com esses estudos têxteis e a que resultado final chegaremos? O design e as construções de tecidos são difíceis de entender para os leigos por causa da natureza matemática e abstrata. O conhecimento tende a ficar dentro de um grupo muito pequeno de especialistas. Eu espero criar têxteis que falem com os consumidores em um nível estético e os seduza a se envolver com a complexidade desse material em uma base duradoura. Um espaço aberto para experimentação é crucial para esse processo, não apenas em relação a aspectos técnicos, mas também em termos de estilo. A Vitra nos forneceu a estrutura necessária.