Arte popular, design e fotografia. Não faltam opções neste roteiro cultural para ser feito em um ou mais dias

Neste mês intenso de novidades, vale apontar algumas mostras pela capital paulista. O fotógrafo Ruy Teixeira ocupa a galeria Passado Composto Século XX num diálogo entre fotos, mobiliário e objetos. Na Japan House, os tecidos da designer Reiko Sudo, da marca NUNO, são o destaque. Há ainda exposições que mesclam arte popular com design brasileiro, no Museu A Casa e no D&D Shopping. Já a primeira inédita da gaúcha Inês Schertel no Brasil acontece na galeria Bolsa de Arte, na Vila Madalena.

O processo criativo da designer Reiko Sudo, da marca NUNO (palavra que significa tecido, em japonês), é tema de nova mostra na Japan House São Paulo, a partir de terça-feira (20).“Nuno – Poéticas têxteis contemporâneas” apresenta trabalhos com técnicas que aliam tradição ao contemporâneo. Na exposição, com curadoria de Adélia Borges, crítica e historiadora de design; e de Mayumi Ito, consultora e fundadora do projeto comunitário Amaria, há 35 diferentes tecidos feitos a partir de matérias-primas que vão de bashofu (fibra de bananeira produzida em Okinawa) a páginas de jornais. Até 27 de outubro, entrada do centro cultural se transforma em uma vitrine com koinoboris, carpas estilizadas típicas do Japão, símbolos de saúde e longevidade, feitas com tecidos.

O fotógrafo Ruy Teixeira, especializado em arquitetura e decoração, ocupa a galeria Passado Composto Século XX, nos Jardins, com fotos, móveis e objetos selecionados por ele. Batizada “Diálogos imprevistos”, a mostra reúne imagens retratadas pelo autor em diferentes partes do mundo nos últimos 15 anos. Entre os itens em exposição, há obras de Geraldo de Barros, Ettore Sottsas e outros mestres modernos, além de uma série de peças cerâmicas da artista Paula Juchem. De 20 de agosto a 15 de setembro.

“Amostrada” apresenta uma coleção autoral de cadeiras de 12 artistas-artesãos alagoanos em peças feitas de madeira, barro e ferro. A exposição tem curadoria do designer Rodrigo Ambrosio e co-curadoria de Beto Cocenza, idealizador do BOOMSPDESIGN, e homenageia o saudoso guardião da Ilha do Ferro, Mestre Fernando Rodrigues. Entre os artistas-artesãos, estão Jasson, Chico Cigano, Vavan, Daniel de Milagres, Petrônio, Roberto Neves, Nen, André da Marinheira, Beto de Meirus, João Carlos e Valmir. “A intenção é retratar o hibridismo da rica cultura do feito à mão, enraizada em nossa terra”, afirma Ambrosio, que fez uma vasta pesquisa nas artes manuais de seu Estado para chegar a esse rico resultado. De 17 de agosto a 25 de setembro, no piso térreo do no D&D Shopping.

Depois de estrear em Teresina, a mostra “Ditos pelo Espedito” chega a São Paulo no A Casa Museu do Objeto Brasileiro, em Pinheiros. São 15 peças, entre mobiliário e espelhos, assinadas por renomados designers brasileiros, modernos e contemporâneos. Cada um desses itens recebeu a intervenção do cearense Espedito Seleiro, considerado o mais importante mestre do couro no país. A exposição em cartaz até 15 de setembro, com curadoria de Luiz Fernando Dantas, contempla ainda imagens da oficina do artesão em Nova Olinda, os móveis criados por ele e um vídeo com o bate-papo realizado entre Seleiro, Dantas e os designers Ronald Sasson e Aristeu Pires, com mediação da jornalista Regina Galvão.

“Lanares”, na galeria Bolsa de Arte, na Vila Madalena, é a primeira exposição individual, no Brasil, da gaúcha Inês Schertel, designer que trabalha a lã em peças recheadas de beleza e poesia. Proprietária de uma fazenda em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, ela cria, com o marido, um rebanho de ovelhas com cerca de 400 animais. A técnica artesanal empregada por Inês dispensa o tear e foi aprendida por ela com os povos nômades da Ásia Central, conhecedores dessa prática há milhares de anos. Entre os itens expostos, há uma série de bancos, cestos, luminárias e uma tapeçaria, além de duas instalações: Gurias, com sete bonecas, e Querência, formada por 73 folhas feitas à mão, uma a uma, em seu ateliê. Em cartaz até 7 de setembro.