A potência criativa de nossas comunidades artesãs se revela em mostra no Rio de Janeiro e em coleção a ser lançada em São Paulo

A exposição está dividida por materiais, como nesta sala que concentra as cerâmicas figurativas. À esq., coleção de peças do pernambucana Manoel Eudócio.

A produção artesanal brasileira, uma das mais ricas do mundo, está reunida de maneira primorosa no Museu do Meio Ambiente, prédio instalado no Jardim Botânico da capital fluminense. Com salas divididas por tipologia de materiais – couro, borracha, barro, madeira, fibras naturais e tecido, “Criativos por Tradição” chama atenção pela variedade de peças de mais de 200 artistas vindas das cinco regiões do país. Ali, pode se apreciar as cestarias e as cerâmicas dos povos indígenas, os artefatos de couro feitos à mão pelos sertanejos, uma coleção de arte figurativa do pernambucano Manoel Eudócio, esculturas em troncos imaginadas pelos mestres da madeira, exemplares de diferentes bordados em toalhas de mesa, as bonecas do Vale do Jequitinhonha, além de itens assinados por designers, como a poltrona dos irmãos Campana produzida com as bonecas de pano da Paraíba, as fruteiras de fibras de Sérgio J. Matos feitas no Amazonas, o cesto de lã de ovelha da gaúcha Inês Schertel e as folhas bordadas da paulista Clarice Borian.

A iniciativa faz parte das comemorações de 20 anos da Artesol, organização sem fins lucrativos que teve início com a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. O trabalho pioneiro em pequenas comunidades do semiárido nordestino e do norte de Minas Gerais e Espírito Santo abrangeu lugares onde haviam mestres detentores das técnicas tradicionais e saberes quase esquecidos. Com apoio humano e logístico, os conhecimentos foram desenvolvidos e difundidos, preservando a identidade cultural dos seus executantes e os preparando para o mercado. “Nossa missão é dar visibilidade a essa forma tão verdadeira de arte que é o artesanato, que brota do encontro do imaginário do artesão com a matéria e as formas da natureza ao seu redor. Esse evento é uma oportunidade ímpar para o compartilhamento de histórias autênticas”, afirmou Sonia Quintella, atual presidente da Artesol. O primeiro Festival Artesol, com patrocínio da Vale, foi realizado na semana passada com seminários, workshops, feira de produtos e exposição. “Criativos por Tradição” se estende até 31 de janeiro no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake inaugura, em 7 de dezembro, a mostra “MATRIZ BRASILEIRA”, com a coleção de objetos de cinco núcleos de artesanato, criados e desenvolvidos em oficinas sob direção do designer Renato Imbroisi desde 2006. Os núcleos são atendidos pela estratégia de atuação social da Fibria, empresa do Grupo Votorantim e líder mundial em celulose de eucalipto a partir de florestas plantadas. Entre os projetos participantes estão: Bichos do Mar de Dentro, no Rio Grande do Sul; Espírito das Águas e Artesanato Tupiniquim, no Espírito Santo; Aldeia Anodi Ofayé, no Mato Grosso do Sul; e Mãos que Valem, em Jacareí e Jambeiro. No dia 8 de dezembro, sábado, haverá roda de conversa com o designer e representantes dos projetos. As peças– toalhas, bordados, biscuits, roupas, jogos, carteiras, cadernos musicais – também estarão à venda na loja It, do Instituto.

Das cinco regiões do país, “Criadores por Tradição” expõe obras de várias técnicas e materiais mapeadas pela Artesol durante seus 20 anos.

Peças da coleção Matriz Brasileira que será lançada no Instituto Tomie Ohtake.