Dupla do rio mostrará seu provocativo trabalho no estande da galeria Mercado Moderno

Poltrona Abrigo, peça que estará na exposição Selected Works na Design Miami 2018.

“Nosso objetivo com o design é contar estórias, gerando questionamentos, emoções e descobertas através dos sentidos.” A frase estampada no site do Estúdio Mameluca já revela o propósito da dupla formada pelo artista e fotógrafo português Nuno Franco e pela designer carioca Ale Clark, neta de Lygia Clark. Em oito anos de trajetória comum, a produção do estúdio mostra um desejo de questionar, provocar, trazer a veia artística para o design e, assim, muitas vezes a inspiração se baseia no movimento Neo Concreto Brasileiro. “Eles fazem com que o espírito de Lygia Clark incorpore na luminária Criatura, na poltrona Abrigo, na Caixa de Fósforos, móvel híbrido e multifuncional. Chamam a ousadia de Hélio Oiticica e do Tropicalismo para dar vida à cadeira Supra, à luminária Ninho, à colorida e Lúdica Transestrutra”, diz a designer Angela Carvalho no texto do catálogo que será distribuído ao público durante a Miami Design, de 5 a 9 de dezembro. Confira abaixo a entrevista feita com Ale desde Miami, no dia em que ela desembalava as peças chegadas do Rio de Janeiro, onde o Mameluca mantém seu estúdio.

O que vocês apresentarão na Design Miami?

Essa é nossa primeira exposição comercial fora do Brasil, e o Marcelo Vasconcellos, do Mercado Moderno, quis apresentar trabalhos que contassem nossa trajetória desde as primeiras peças que fizemos antes de fundarmos o Mameluca e que depois as repensamos juntos até as de 2018. Ao todo são dez itens. Tem de mobiliário a azulejos, e também o anel que lançamos no ano passado.

Qual é o conceito do anel?

Queríamos que as pessoas entendessem como é o ato de gestar vidas. E a sementeira-anel está na mão, um lugar para onde sempre olhamos. Assim fica mais fácil aprender sobre o processo de germinação, criar um vínculo afetivo com a planta que nascerá ali. Depois, ela deve ser transplantada para um vaso. Esse anel, da coleção Sy, diferentemente de nossas outras peças, não tem série limitada.

E os azulejos Libidinosos que vocês lançaram este ano na MADE?

São três modelos com referências ao corpo feminino. Tem a ver com libido, um mergulho na sensualidade do prazer pela vida. Tentamos mostrar o corpo da mulher e, quando você os multiplica, eles perdem a conotação do peito, da bunda.

Como vocês se apresentarão na feira?

O estande do Mercado Moderno está dividido em duas partes: a do design contemporâneo, com nossas peças em 40 m², e a do coletivo dos móveis modernos brasileiros. Estamos levando peças que mostram essa nossa relação com a arte: três, de 2014, da coleção Lygia Clark, três, de 2015, do Tropicalismo, e outras mais recentes. Nossa referência está sempre entre o limite da arte e do design.

Qual é a expectativa de vocês?

Estamos superansiosos. Já tivemos experiências de mostras institucionais na Bienal de Veneza e no Museu de Artes Decorativas, em Paris, mas o público aqui é diferente, então, a expectativa é ainda maior.

Fotos: Divulgação

Sofá Afrodite, lançado este ano na SP Arte. 

Transestruturas, com acrílico e cedro. 

Caixa de Fósforos, lançamento deste ano. 

Simbiótico Sideboard, de 2016, de ferro e peroba-do-campo. 

Sementeira Sy, lançada no ano passado, em formato de anel.  

Sextiles, 2018: os azulejos reproduzem o corpo da mulher.  

Supra, 2018, aço com couro, cobre e tecidos. 

Fotos: Divulgação