O designer israelense Dror Benshetrit assina o conceito da nova unidade da Florense, com inauguração prevista para 5 de agosto

O designer israelense Dror Benshetrit se autointitula um “pensador futurista”. Essa, aliás, é uma definição que ajuda a entender suas emblemáticas criações. Uma delas é o sistema construtivo Houseplant, no qual as casas atuariam também como espaço para cultivo de plantas, frutos e vegetais. O conceito, proposto por Dror em 2016 para um prédio residencial em Tel Aviv, em Israel, está sendo aplicado no novo showroom da Florense na al. Gabriel Monteiro da Silva, seu primeiro projeto no Brasil.

“A minha ideia era de que a loja toda fosse cercada pela rica vegetação do Brasil, com muitas ervas, frutas e vegetais, que são preparados nas cozinhas e também se destacam pelos aromas e sabores”, conta. Esse ambiente da casa é a principal inspiração para o projeto, uma forma de homenagear não só a história da empresa, mas também a cultura brasileira. 

Essa não é a primeira vez que Dror vem ao Brasil. Em 2017, ele foi eleito designer do ano na BOOMSPDESIGN – fórum de arquitetura, design e arte idealizado por Beto Cocenza há 11 anos – no qual palestrou e pôde se aproximar do nosso design e cultura. Foi durante essa visita que se aproximou da Florense. “Nós gostamos muito do trabalho dele e o chamamos para conhecer a nossa fábrica no sul. Nossa empresa tem forte preocupação na sustentabilidade, tema também importante para o Dror. Fizemos o convite para ele assinar a loja e ele aceitou. Foi uma decisão acertada , ele humanizou o projeto, que é chique, gostoso e ousado”, afirma a diretora da empresa Camila Nunes Carneiro.

Para o profissional, a cozinha é a parte mais experimental da casa, um lugar de criação. “Envolver essa ideia ao que fizemos aqui, revela o modo como olhamos esse projeto.” O novo endereço contará com 920 m² divididos em quatro andares. Na fachada, as houseplants abrigarão plantas frutíferas, temperos, ervas, criando uma mistura de aromas: “Desejo que se torne uma referência, que faça pensar, que seja um lugar de contemplação”. Confira abaixo nossa entrevista com o designer. 

Como aconteceu este convite da Florense?

Conheci a Camila (Nunes Carneiro) em uma vinda minha ao Brasil e houve uma identificação mútua. A Florense aguardou muito tempo para se instalar na principal rua de grifes de mobiliário do país, a alameda Gabriel Monteiro da Silva. É um grande desafio e também o meu primeiro projeto no Brasil.

Que história você quis contar por meio deste projeto?

Meu conceito original para o espaço nasceu de um entendimento da posição exclusiva ocupada pela Florense no mercado brasileiro. Embora produza outros itens do mobiliário, ela está ligada à ideia de cozinha, é a empresa líder neste segmento. E, sendo assim, torna-se responsável pela integração entre alimento e o lugar onde ele é cultivado. Isto explica a integração da loja com a natureza, a vegetação, ervas, flores, frutas, vegetais que crescem dentro da própria estrutura e que criam, ao redor dela, um jardim ao qual a loja é incorporada e envolvida.

Qual sentimento você quer despertar nas pessoas?

No caso específico do Brasil, essa situação se radicaliza porque sinto a cultura brasileira tão conectada com a terra que, ao incorporar isso em um espaço que não parece showroom, não parece loja, mas que se parece com um lar, revela significado extra. O sentido de tudo é reverenciar a cozinha, as plantas, os vegetais, as ervas que reúnam o conforto e o sentimento de cuidado com um lugar que é o centro da casa. Experiências enraizadas na natureza, proporcionando às pessoas um sentido de pertencimento aos seus entornos e ao que estão vivenciando.

Como foi o processo de seleção das plantas?

A minha ideia era que a loja toda fosse cercada pela rica vegetação do Brasil, como por exemplo muitas ervas, frutas e vegetais, que são preparados nas cozinhas e também se destacam pelos aromas e sabores e dão vida à cozinha brasileira. Entre plantas frutíferas, ervas e tempos, como pés de tomate, romã, laranja, limão, abacaxi… e muitas ervas como manjericão, tomilho, alecrim, hortelã, orégano, salsa, cebola, coentro, pimentas… Muitos aromas.

Como é seu processo criativo?

Penso que toda criação é como um veículo para a mudança, onde uma mudança estrutural, emocional ou metafórica produz resultados profundos. A paixão por ideias resulta mais do que um desejo de perturbar: as ideias refletem o nosso espírito experimental e imaginação ilimitada e permitem-nos iniciar uma alquimia radical entre disciplinas. Busco elevar a consciência humana, tudo o que construirmos, tudo o que criamos ao nosso redor, a natureza, o sentido de pertencimento, o senso de harmonia. Acho que iremos ver muitos estilos diferentes, diferentes vocabulários vindos do mundo da arquitetura, a integração com a tecnologia, materiais naturais, processos de bio-construção e automação.

Abaixo, outros projetos do arquiteto israelense pelo mundo:

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