O ateliê do arquiteto exibe instalação que propõe conectar os visitantes com a floresta

A Design Miami, inaugurada na terça-feira (3), conta nesta edição com um seleto grupo de brasileiros, a começar pelo Atelier Marko Brajovic, que desenvolveu a instalação Roots para o interior do Miami Beach Convention Center, pavilhão onde ocorre o evento até domingo. Entrevistamos o designer croata, radicado em São Paulo, para saber sobre o conceito do projeto. Confira esse bate-papo e as demais participações de brasileiros na semana de arte e design da cidade americana.

Como surgiu o convite para criar esta instalação?

Marko Brajovic – Fui convidado pela curadora Ximena Caminos, com a qual colaboramos em projetos anteriores, em Miami e Buenos Aires. Ela é curadora do HoneyLab e me pediu para pensar numa instalação. Nesse período, eu curiosamente estava na Amazônia e recebi a mensagem na floresta. No dia seguinte, respondi a ela com este insight: dormi e sonhei em criar um espaço com raízes.

E eles logo toparam?

MB – Sim, eles gostaram muito. Depois, fiz uma reunião com o curador geral da Design Miami e ele oficializou minha participação. Diferentemente dos outros anos, a instalação está na parte interna do pavilhão e, depois da desmontagem, irá para o Sacre Space, um espaço de experiencias holísticas em Miami, que entrou como um dos patrocinadores do projeto.

Que materiais foram usados?

MB – A arquitetura foi inspirada no sistema de raízes de mangue da Amazônia e projetada digitalmente seguindo os princípios naturais de crescimento da vegetação. Nessa questão é importante nomear a participação da Tidelli. Quando desenhei, não sabia ainda qual material usaria. Comecei a pensar em um sistema de ramificação de alumínio autoportante, envolto em finas cordas de tons de marrom. Falei sobre isso com o Luciano (Mandelli), um dos donos da empresa, ele gostou da ideia e forneceu mais de 3,5 mil metros de corda para nós. Elas foram instaladas por um grupo de artesãos dos Estados Unidos, que seguiu o vídeo tutorial de montagem enviado por eles. Desenhamos também um tapete de corda com mais de 3 m de diâmetro para completar a parte central da instalação e abrigar cerimônias.

Que atividades foram programadas para o espaço?

MB – A instalação recebe diversas atividades de reconexão do ser humano com a natureza, de espiritualidade, cura, experiências musicais com instrumentos holísticos, palestras e talks. É um espaço bastante sensorial. Exibimos também o documentário Sacred Coca, de Diana Rico and Richard Decaillet, uma jornada sonora e visual da floresta amazônica, feito por uma equipe colombiana para criar experiências profundas e transformadoras ao espectador. As pessoas podem se deitar em redes indígenas da Amazônia e assistir o vídeo colocando os óculos virtuais.

 

Que recado você pretende dar com esse trabalho?

MB – A natureza é a base da minha pesquisa, falarei da Amazônia brasileira e da importância de se preservar a floresta. As raízes representam uma questão muito importante para mim. Raízes que nos conectam e as que fluem do nosso subconsciente, nossas conexões sinápticas e espirituais com todos os outros seres. Acredito ser fundamental nos conectar com a natureza interior, o conhecimento ancestral e a consciência ecológica. Na sexta-feira (hoje), darei uma palestra, às 17h, sobre isso e falarei do processo criativo e da inspiração. Ximena do HoneyLab e o produtor Alberto Latorre também participam da conversa.

Fernando e Humberto Campana marcam presença no evento nos estandes da galeria Friedman Benda e da Louis Vuitton. Para a galeria nova-iorquina, os irmãos selecionaram seis cadeiras da coleção Cangaço, feita em colaboração com o artesão cearense Espedito Seleiro. Já na marca francesa, a dupla mais famosa do design brasileiro desfila os produtos criados para a coleção Objets Nomades, que ganharam novas cores, como o balanço Cocoon. Fora da feira, eles lançam duas linhas de lençóis e acessórios com a marca brasileira Trousseau: Detonado e Bolotas, inspiradas nos móveis de mesmo nome. A Detonado tem estampa patchwork da palha reutilizada em cadeiras tramadas à mão. Já a Bolotas remete às almofadas redondas costuradas pelas artesãs do estúdio. Depois de Miami, todos os produtos estarão à venda nas lojas da rede no Brasil e na online a partir de janeiro.

Com peças de Joaquim Tenreiro e José Zanine Caldas, como este banco dos anos 1980, a R&Company, galeria de Nova York, lança o livro bilíngue José Zanine Caldas, parceria da galeria de Nova York com a Editora Olhares.

A designer Claudia Moreira Salles mostra pela primeira vez sua série de luminárias Sintonia Fina na Flórida. Lançadas no Brasil pela Lumini e pela Espasso em Nova York, em 2016, as peças de edição limitada combinam madeira de demolição com nióbio, metal muito usado na indústria de tecnologia e que se transforma cromaticamente sem a necessidade de se adicionar pigmentos. No estande da galeria nova-iorquina, a coleção ganha modelos com base de muiracatiara e nova cor no nióbio.

A dupla do Mameluca, Ale Clark e Nuno Franco de Sousa, apresenta a escultura Gota no estande da galeria carioca Mercado Moderno. Com base na poesia do português Camilo Pessanha, a obra, feita de mármore, remete à água, cujo movimento constante é capaz de preencher o vazio. “A Gota é a primeira peça da série Momentum, na qual pretendemos preservar o registo do momento do tempo zero, desafiando a gravidade e preservando a memória”, afirma Nuno.

A marca de móveis paulistana Vermeil fez parceria com o designer venezuelano Luis Pons, por meio do Boomspdesign, para lançar a coleção Tangará, com mobília colorida. O ponto de partida do projeto foi a dobradiça de madeira, usada como método construtivo, resultando em um sofisticado trabalho de carpintaria. Montada com painéis de madeira, as peças podem ser separadas ou agrupadas para criar várias configurações de modelos e cores. A linha é composta de bufê, bar, cômodas e mesas de cabeceira.