Prédio modernista dos anos 1970 sediará espaço dedicado a cultura coreana

A fachada do prédio que sediará o novo Centro Cultural Coreano do Brasil.

Depois das inaugurações da Japan House (2017), Instituto Moreira Salles (2017) e Sesc (2018), a avenida mais famosa de São Paulo recebe o Centro Cultural Coreano do Brasil, com abertura prevista para maio. O projeto da sede, localizada em um prédio dos anos 1970 da av. Paulista, abrigará atividades culturais e educacionais, distribuídas em três pavimentos de 900 m². Os escritórios Oliveira Cotta Arquitetura e Padovani Arquitetos conquistaram o concurso para a realização da obra. Lucas Padovani contou como será esse novo espaço para os brasileiros vivenciarem a cultura coreana.

Como foi a participação de vocês no concurso?

O concurso foi fechado, com convites feitos diretamente aos concorrentes, um processo mais sigiloso e mediante indicação. Os projetos passaram pelo crivo de uma equipe na Coreia, que, por meio de notas, elegeu o nosso como vencedor.

Qual prédio sediará o centro cultural?

É um prédio modernista construído nos anos 1970, que sediou anos atrás uma agência do Banco do Brasil. O novo centro cultural ocupará os dois primeiros pavimentos e o subsolo, destinado a ser uma área mais técnica, com copa e vestiário para os funcionários.

O que vocês propõem nessa reforma?

Nossa proposta se baseou em respeitar a arquitetura presente. Criamos pórticos de madeira colada (MLC), numa intervenção pontual, para fazer esse link entre a matéria-prima do Brasil e a da Coreia, elemento também muito usado por eles. Os pórticos dão ritmo e marcam a verticalidade da fachada, tanto externamente como internamente, além de valorizar o pé-direito triplo. Empregamos também o granito, pedra recorrente nos edifícios deles.

Que outros elementos arquitetônicos do projeto você destacaria?

Além dos pórticos de madeira de reflorestamento, destacaria a escada metálica, que faz a conexão do térreo ao primeiro piso, o forro de madeira ripado envolvendo a biblioteca, e o móvel minimalista com luz indireta, destacando os livros.

Como serão divididos os espaços?

No térreo, haverá área de exposições, palco e camarim. Eles tinham também demanda por uma cozinha para as aulas de culinária. No piso superior, detalhamos os espaços para os programas corporativos e educacionais. São três salas de aula e biblioteca integrada, montada de maneira informal, como lounge. Teremos aí também uma sequência de escritórios.

Vocês já começaram a obra e quando ela será concluída?

Iniciamos em fevereiro as demolições e pretendemos entregar a obra em junho ou julho.

Como foi a pesquisa sobre a cultura coreana?

Concentramos a pesquisa na arquitetura, vendo os materiais que pudessem fazer esse link entre a cultura coreana e a do Brasil. Pesquisamos também os artistas de arte contemporânea deles para entender como deveriam ser as áreas de exposições. Empregamos as cores da bandeira da Coreia, vermelho e branco, no mobiliário, como o da biblioteca, que é bem minimalista. Para esse trabalho, tivemos a assessoria do designer coreano Kim Kyra, um estudioso do design de seu país, que nos mostrou como deveriam ser a iluminação, a posição do palco, a acústica. Foi um projeto completo que dividimos com a equipe do Oliveira Cotta Arquitetura.

Que dados culturais impressionaram vocês?

Os coreanos são muito detalhistas, percebemos isso em todas as etapas da obra, e valorizam a cultura e a educação, investem muito nisso. Eles querem que as pessoas conheçam sua cultura. Valorizam também o profissional da educação, soubemos inclusive que há uma grande porcentagem de jovens querendo ser professores, essa é uma das profissões mais procuradas no país. Infelizmente, muito diferente da nossa realidade atual.

O projeto dos arquitetos brasileiros valorizaram a madeira, a pedra e as cores da bandeira da Coreia.