Entre tantos exemplos, selecionamos casas e ambientes que nos surpreenderam pelo conforto, criatividade e elegância na Casa Cor SP

O que torna um ambiente agradável? A resposta é complexa. São muitos os fatores que influenciam a sensação de bem-estar. Luz natural, cores bem dosadas, equilíbrio nas proporções, circulação planejada, objetos afetivos, sem falar na escolha de materiais. Madeira e tecidos gostosos ao toque imprimem aconchego. A natureza próxima nos conecta ao essencial. Foi pensando nesses elementos e também em propostas inovadoras que escolhemos os dez projetos de design de interiores que você verá a seguir.

Fotos: Denilson Machado

Casa Oak – Salvio Jr. e Moacir Jr., do Studio CASAdesign

Cercada de plantas tropicais, a fachada de tijolos rústicos e leve brilho metalizado (Brickstar, da Portobello) contrasta com o interior revestido de lâminas de carvalho natural (Florense). No living, chama a atenção a bela tapeçaria emoldurada pelo muxarabi, posicionado atrás do sofá. Elementos de diferentes origens e etnias – Timor Leste, Ilha de Bornéu, Benin, Turquia e Filipinas – trazem o feito à mão e a afetividade para a casa de 185 m², que concentra quarto e área de refeições em extremidades opostas. No bar alongado, misturam-se garrafas, esculturas, telas, vasos e bibelôs, em um arranjo cheio de personalidade. O piso de azul intenso é formado por módulos de 20 x 20 cm (Pierre Ble, da Portobello) e empresta sua tonalidade a duas poltronas da sala. Equilíbrio de cores e proporções na dose exata.

Casa Sumé – Gustavo Neves

O nome do espaço evoca o ser mitológico do povo tupi a quem se atribui a transmissão das primeiras técnicas de uso do fogo, de agricultura e da organização social, com quem se apreende a essencialidade da criatividade e da tecnologia. Para a construção, Gustavo Neves usou fardos de palha como elemento de vedação, tendo em vista a natureza renovável do material com alto valor de isolamento térmico, acústico e retardante ao fogo, e a técnica da terra ensacada, processo no qual sacos de ráfia são preenchidos com solo argiloso e moldados no próprio local.

No espelho d’água, ladeado por plantas típicas da caatinga, estão as esculturas de Fátima Campos, artista do Piauí. A passarela de pedra natural brasileira (Cosentino) leva à porta com 105 esculturas de ex-votos (Galeria Estação), representando curas. Na parte interna, o chão é de terra batida e as paredes cobertas com textura mineral (terra, casca de árvore e tijolos de demolição) e também tecido de algodão cru reciclado. No estar, há obras de Chico Tabibuia e Artur Pereira, reforçando o caráter regional do projeto, e peças de design contemporâneo, como o sofá de autoria do arquiteto, e de design vintage, como a dupla de poltronas.

Os móveis que compõem a sala de jantar têm desenho do arquiteto, assim como a luminária feitas a partir de caules de palmeira com filetes de cerâmica e duas gemas de Topázio Imperial onde incide a luz. No quarto, a cama exibe cabeceira de madeira de descarte e base oxidada. Tudo que existe na casa, automação e eletrodomésticos conectáveis da LG, funcionam por meio de comando de voz.

Casa do Fauno – Léo Shehtman

A casa de 144 m², pensada para um casal sem filhos, homenageia Fauno Barberini, figura da mitologia romana representada pela escultura no quarto – ser híbrido entre humano e animal que seguia Baco, o Deus do vinho. “A obra traz a atmosfera clássica em contraste com a contemporaneidade do projeto”, diz o arquiteto.

Exótico, o mármore Nacarado (Top Mármore) reveste a extensa parede de 18 metros com espelho d’água, criando pano de fundo para os ambientes, cujo forro é composto por uma trama que desenha sombras gráficas no piso de porcelanato (Cerâmica Portinari/Staccato Revestimentos). Divisórias de latão imprimem nobreza e interagem com a mobília antiga e a de design brasileira.

A sala de jantar, integrada com a cozinha, é dividida em dois volumes de pedra escura, material que reveste as portas dos armários (Dell Anno) e mimetiza todos os eletrodomésticos (Elettromec). Sobre a mesa e a ilha, luminárias da Flos e Vistosi (Dimlux). Três grandes portas de vidro pivotantes da Cinex cumprem o papel de imponentes esculturas, que interrompem a fluidez do mármore refletido sobre a água, sem intimidar o senso de unidade da casa.

Paredes Mágicas – Leo Romano

O arquiteto goiano exalta a fantasia, com imagens de circos antigos e sugestões de ambientes empilhados. “Pretendo levar ao público um pouco de reflexão e alegria num momento em que isso nos é tão necessário”, afirma. A construção é feita com o envelopamento completo das paredes e do teto usando material metálico (Hunter Douglas). Internamente, caixas de MDF são empilhadas para receber cozinha, quarto e banheiro, ampliando a área construída e garantindo mais espaço para o estar composto de móveis de Oscar Niemeyer, Claudia Moreira Salles, Giuseppe Scapinelli, Jorge Zalszupin e do próprio Leo, que assina um sofá inédito.

Para que o visitante possa se envolver nesse universo lúdico, o espaço de 100 m² tem uma atmosfera levemente escura, sem ser sombria. A iluminação pontual valoriza cantos, objetos de decoração e fotografias com cenas cinematográficas e circenses sobrepostas por peças cerâmicas que imitam braços e pernas, ampliando as características de mundo imaginário. Essas obras foram desenvolvidas em parceria com a artista Ieda Jardim.

Loft Refúgio – Consuelo Jorge

Em sua 14ª participação na mostra, a arquiteta criou um espaço para refletir e renovar as energias em 101 m². A escolha dos revestimentos seguiu para tons terrosos, contrastando o cinza-claro do piso de porcelanato e do papel de parede. O ambiente foi estruturado com painéis de madeira, chegando ao forro inclinado do prédio do Jockey. Outro destaque é a parede de chapas de quartzito canelado, da Guidoni, interrompidas por prateleiras metálicas de 3 mm de espessura, desenvolvidos pela arquiteta. A banheira feita de um único bloco de mármore foi projetado exclusivamente para o Cidade Matarazzo Hotel ainda a ser inaugurado na capital paulista.

Living do Colecionador – Naomi Abe

Pensando em um cliente apaixonado por arte, design e arquitetura, a designer de interiores projetou na entrada do living de 80 m² um cubo monocromático de ladrilhos hidráulicos verdes para que os visitantes pudessem contemplar as obras dos artistas como em um museu. No teto, Naomi projetou um caminho iluminado com círculos, inspirado na arquitetura modernista dos anos 1950. No living, o verde também reina no sofá de 5 m (Artefacto), nas cortinas, na mesa lateral e no piso. Em contraste, o tapete de Alfredo Barbosa de Oliveira (Punto & Filo) quebra a monocromia. A luminária desenhada por Lina Bo Bardi é fabricada pela Lumini.

Entre as obras: Niura Bellavinha (Articulado Rodapé), Flavio Cerqueira (A Traição do Olhar), Marcia Pastore (sem título) e as arandelas Arco do Estudio Rain, que mais parecem duas esculturas douradas na parede. Para arrematar, arranjos florais e as samambaias colocadas em kokedamas da florista Aline Matsumoto.

Casa Dendê Duratex – Nildo José

A Bahia, terra natal do arquiteto, é reverenciada nesta casa de 155 m² sem seguir fórmulas prontas e estereotipadas a começar pela arquitetura limpa, abundante em traços retos, com curvas pontuais que fazem analogia ao recôncavo baiano. Na entrada, uma lâmina de mármore com sal grosso de 15 m de extensão e iluminada por uma fita de LED, dá as boas-vindas aos visitantes e remete ao misticismo local.

Nildo recorre, pela primeira vez, a tons escuros na marcenaria para remeter ao Jacarandá da Bahia, em contraste ao cimento queimado das paredes na cor Linho. O piso de pedra compõe o visual junto de grandes panos de vidro, instalados nas divisas do jardim de espadas-de-são-jorge, assinado por Bia Abreu. O teto, por sua vez, conta com um recorte zenital, protegido por um vidro especial, que controla os raios solares, e um muxarabi, escolhido a fim de permitir a ventilação do ambiente. O elemento arquitetônico também se faz presente na construção do banheiro e da cozinha, instalados em uma espécie de caixa central.

O lounge, com quatro poltronas, divide espaço com a ilha gourmet, desenhada pelo profissional. A maioria dos tecidos, tramas e tapetes foram trazidos da Bahia e confeccionados pelo tear manual tradicional do estado, parecidos com os que constituem as redes de descanso. No living, uma extensa prateleira (Florense) toma conta da parede, exibindo garrafas de cachaça decoradas com areia da Bahia. Obras de arte de artistas nacionais, assim como peças de artesanato, como ex-votos da Galeria Estação, ajudam construir a prosa singular e contemplativa.

Casa das Sibipirunas – Otto Felix

A casa de campo contemporânea de 180 m², rodeada por espelho d’água e vegetação, reaproveita materiais e tem forte influência da memória afetiva. O projeto propõe arquitetura simples, com peças estruturais que se repetem, emolduradas em vigas metálicas e vidro (construção da Lock Engenharia). Árvores interagem com os interiores da casa, revestidos com os antigos e simpáticos caquinhos, que ganham nova matéria prima: Travertino proveniente de sobras de marmorarias.

A cozinha torna-se uma escultura no living por meio de meias paredes que se erguem de forma orgânica, como ruínas. As portas de serralheria guardam os eletrodomésticos e armários. O banheiro também segue o conceito de ruína, desenhado pela composição das paredes com formas que emolduram o box e a pia, com um grande espelho ao fundo. No quarto, a cama foi desenhada pelo arquiteto com cabeceira de palhinha. Há poucos armários, propondo um estilo de vida mais nômade.

Fotos: Denilson Machado

Terraço Aurora – BC Arquitetos

Expressar sensações e sentimentos por meio de composições ricas em referências e texturas, e, também, por uma arquitetura limpa, se tornou o dístico do BC Arquitetos.

Bruno Carvalho e Camila Avelar, do BC Arquitetos, apresentam um terraço de 130 m² inspirado na poética contemporânea e minimalista que norteia o novo morar. Na entrada, um imponente pórtico guia os visitantes até o interior cor-de-rosa. Englobando um living desconstruído, o ambiente exibe design assinado e obras de arte. O piso de nogueira natural contrasta com a paleta de tons rosados.

A cozinha/bar, que também pode ser interpretada como uma estante, é desenho do escritório feito em parceria da Florense. O mobiliário (Líder Interiores) conta com peçasmodulares, como o sofá. As luminárias da Flos (Dimlux) completam a composição elegante que conta ainda com peças de antiquário (Arnaldo Danemberg), de meados do século 19.

Uma obra de arte aérea, composta por três pedras feitas de material reciclado, foi criada a partir da parceria do designer Domingos Totora e do Estúdio Manus, que idealizaram  pequenos elementos poéticos que surgem das rochas e sobrevoam o ambiente, coberto por tapete de tear manual (By Kamy).

Fotos: Romulo Fialdini

O arquiteto mineiro volta à Casa Cor São Paulo com um projeto de hotel que hospeda novos conceitos de arquitetura e design, além de uma coleção de arte contemporânea. O ambiente difere das paredes monocromáticas de uma galeria e investe em tintas de efeitos visuais. O lobby serve como área de leitura, contemplação ou de receber amigos, oferecendo assentos em um confortável sofá modular e também em poltronas e chaise de design nacional e internacional. As pinturas sobressaem, como a tela de Luiz Zerbini. Há ainda esculturas de Ernesto Neto e Nuno Ramos. A iluminação é gráfica com perfis que marcam obras e arquitetura. Elementos em equilíbrio e a estratégica colocação das peças tornam o ambiente propício a abrigar a coleção mesmo com superfícies coloridas. “Obra de arte é um objeto que vai além da decoração, não precisa combinar com nada”, atesta Pedro. E completa: “Esse ambiente sintetiza nossa origem e realidade diversa. Sobretudo, mostra que diferenças não são divergências”. O espaço contempla ainda  suíte e closet.