Listamos as principais novidades apontadas pela diretora superintendente da Casa Cor, Livia Pedreira, pelos profissionais participantes e pelos assessores de imprensa

Reduzir custos e resíduos sempre foi uma grande preocupação da atual gestão da Casa Cor, comandada pela jornalista Livia Pedreira há cinco anos. Na 33ª edição da mostra de São Paulo, a sustentabilidade volta a ser prioridade. “Viemos construindo uma narrativa, que começou com a Brasilidade e se estende agora ao tema Planeta Casa”, afirma. Uma das medidas adotadas para 2019 foi banir a construção de alvenaria e priorizar as industrializadas que geram menos impacto e entulho. Aproveitar ao máximo a estrutura arquitetônica disponível foi outra medida adotada pelo elenco de 2019, formado em grande parte por jovens profissionais. “Há projetos maravilhosos que tiraram partido do piso, das paredes, do corrimão e das cores do Jockey. Isso reverte em menor impacto ambiental”, diz Livia. Relacionamos a seguir o que haverá de mais relevante e curioso desta vez – a inauguração ao público acontece em 28 de maio.

Foto: Reprodução/Instagram.

Arquitetura de baixo impacto

Um dos motes da mostra neste ano é a sustentabilidade. O conceito norteou projetos de arquitetura e os métodos construtivos usados pelos profissionais. O escritório Intown, que retorna à edição paulistana após dois anos, reutilizou no Loft Mobili materiais do espaço projetado para a última Casa Cor Rio. O também carioca Duda Porto volta ao evento com uma casa modular de 190 m², batizada de Lite e construída em apenas 40 dias. Marília Pellegrini regressa com a Casa Contêiner Cosentino. Em 60 m², o projeto minimalista contempla living, cozinha, suíte e lavanderia. José Marton repete a parceria e assina novamente a Loja Casa Cor (foto acima), utilizando a mesma estrutura do ano passado. E Gustavo Neves, em uma construção de sistema industrial, explora o acabamento artesanal. Um dos destaques de seu ambiente será o lustre criado por ele com uma palmeira seca encontrada na praça próxima a sua casa.

Foto: Reprodução/Instagram.

Gastronomia em alta

Após caminhar por 78 ambientes, natural que dê vontade tomar um café ou até mesmo almoçar ou jantar. Para atender essa demanda, a mostra tem boas novidades. O restaurante mediterrâneo Limone, sucesso nos anos 1990 e comandado por Lalo Zanini, volta a operar durante o período da mostra no espaço projetado pelo escritório estreante Habitat Projetos Inteligentes. O Badebec, de Lourdes Bottura, retorna ao evento com opção de buffet em um ambiente de 600 m² assinado pelo arquiteto Gustavo Paschoalim. A Ofner ocupa o Café com Terraço, projetado pela designer de interiores Jóia Bergamo, com 250 m². Já tradicional no evento, a Dona Deôla terá espaço assinado por Patrizia Genovese e Andrea Camasmie. A mostra oferecerá duas opções de bar: o do Relógio, operado pelo Iulia e concebido por Marcelo Diniz, e o do Jockey (foto acima), com projeto arquitetônico de Eduardo Correia e vista para o skyline da cidade.

Fotos: Divulgação.

Novos sotaques

Já virou tradição a edição paulistana importar talentos que se destacaram em outras praças do evento. Neste ano retornam à mostra o escritório carioca BC Arquitetura, os catarinenses Marcelo Salum e studio CASAdesign – comandado por Moacir Jr. e Sálvio Jr.  – e o francês Jean de Just, que fez sua estreia na Casa Cor Rio de Janeiro. Três nomes aparecem na mostra de São Paulo pela primeira vez: o carioca Studio Roca (foto 2), com a Casa Berilo Leroy Merlin, o catarinense Tufi Mousse (foto 3), com o Lounge Bauhaus 100 anos, e os pernambucanos do Studio Costa e Azevedo (foto 1) de Josemar Costa Jr. e André Azevedo.

Foto: Divulgação.

Retornos aguardados

Nomes esperados retornam este ano após longa pausa. É o caso da arquiteta Consuelo Jorge, em sua 14ª participação, com o Loft Refúgio. Promete chamar a atenção, no espaço de 101 m², a banheira de mármore desenvolvida exclusivamente para o Cidade Matarazzo Hotel e apresentada em primeira mão na mostra. Paula Magnani volta ao evento, desta vez com o Estar Leve (foto acima), ambiente de 40 m² pensado como refúgio para um casal de meia idade.

Foto: Divulgação.

Charme de vila italiana

Após assinar o maior espaço da mostra em sua última participação, Debora Aguiar (foto acima) retorna com a Dolce Villa Todeschini, de 480 m². O projeto engloba hall, suíte com closet, living, sala de jantar e espaço gourmet, todos os ambientes conectados a jardins.

Inspirações

Além do tema central, Planeta Casa, ideias e inspirações das mais diversas norteiam os profissionais ao projetar os seus espaços. Léo Shehtman presta homenagem ao Fauno Barberini, versão romana do mitológico Sátiro grego. O espaço de 144 m² conta ainda com obras modernistas, uma maneira de homenagear o centenário da escola Bauhaus. A casa de 85 m² da Tritart Arquitetura foi desenvolvida em linhas retas, uma referência ao modernismo. Já o arquiteto estreante Renato Mendonça se inspirou na figura de um chef jovem e independente para o Estúdio Trigo. Com 48 m², o local tem como foco a memória afetiva e a valorização das origens.

Desenho de autor

No Co Dining, sala de jantar de 45 m², Juliana Pippi lançará a mesa We Share de sua autoria. Já Leo Romano apresentará o sofá Branco e Preto no ambiente Paredes Mágicas (foto acima). Clariça Lima, inspirada no centenário da Bauhaus, elaborou uma coleção de mobiliário que estará no jardim que a paisagista assina para a mostra. Responsável pela Suíte Blush, Bruno Carvalho desenvolveu tapetes exclusivos para a Botteh, desenhados com exclusividade para seu ambiente.

Genderless  

Tendência nas discussões contemporâneas, as questões de gênero também são abordadas em alguns ambientes. No Quarto Infantil (vídeo acima), da arquiteta Olivia Messa e da designer Luciana Penna, a ideia foi criar um espaço neutro, sem gênero definido, com a proposição de incentivar a imaginação, a arte, a leitura e o trabalho manual. O designer de interiores Fernando Piva também elaborou um espaço para ser usufruído por qualquer pessoa, o Estúdio Plural, planejado para as novas formas do morar.

Foto: Reprodução/Instagram.

Para se surpreender
Após estrear na última edição com o ousado Transtudio, o arquiteto Ricardo Abreu assina o Loft Fétiche (foto acima), inspirado nas antigas garçonnières francesas. Um dos destaques promete ser uma piscina de bolinhas que resgata impulsos infantis e convida a uma experiência interativa e sensorial. Já o arquiteto Ricardo Bello Dias assinará o Deca Lab com uma proposta disruptiva, na qual faz uma alegoria à questão do Planeta Casa. Em ambiente que remete a uma nave espacial, ele conta histórias da ciência e tecnologia apoiado em projeções. Outro espaço que merece atenção é a Arena Casa Cor, projetada por Fabiano Hayasaki, onde acontecerá uma série de palestras e encontros. Em 29 de maio, Attilio Baschera e Gregorio Kramer conversam com a jornalista Regina Galvão sobre a trajetória da dupla que se mistura com a do design de interiores no país.

Sentidos aguçados

No Jardim dos Chefs, dos paisagistas Caterine Poli João Jadão, uma mistura a aguçar o olfato e o paladar: flores comestíveis, árvores frutíferas, chás, pimentas e tempero. Eles homenageiam o casal Janaína e Jefferson Rueda, responsáveis pelo Bar da Dona Onça e A Casa do Porco e Hot Pork. Vale contar também que a central de tratamento de resíduos da Casa Cor SP estará aberta para visitação. No local, haverá uma horta e a distribuição de adubo orgânico.

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