Móveis e objetos criados por designers em parceria com artesãos ocupam o espaço até 8 de junho

O inacabado Mercado Novo, prédio dos anos 1960 no centro de Belo Horizonte, entrou para a programação do BH Design Festival, iniciado na terça-feira (28). O local, point hipster na av. Olegário Maciel, será palco da exposição “Sobre Existir/Resistir”, com móveis, luminárias e objetos ocupando 15 lojas desativadas no segundo piso do edifício, onde estão os novos bares do estabelecimento. Os curadores João Elias e Pedro Haruf propuseram aos designers estabelecerem um diálogo com os artesãos de diversos ofícios que existem ali, como gráficos, serralheiros, torneiros mecânicos. “Quisemos mostrar as riquezas culturais desse mercado, repleto de práticas de tempos passados”, afirma João.

Para os curadores, o Mercado Novo representa a história e precisa ser cuidado. “Devemos perpetuar o que resistiu e resgatar o que se perdeu, o envolvimento é essencial: conhecer, frequentar e mais do que tudo recontextualizar”, afirmam. Participam do projeto, os mineiros: André Ferri, Carla Medina, Cultivado em Casa, Francisco Oliveira, Pedro Haruf, Juvenal AD, Isabela Vecci e Thiago Alvim, Marcelo Samauma, Olavo Machado, Pietro, Juliana Vasconcelos, Regina Misk, Ricardo Rangel, Suka Braga e Thales Pimenta.

A arquiteta Isabela Vecci e Thiago Alvim fizeram parceria com um serralheiro para executar mesas de centro e laterais. “Me indicaram o nome do Pacheco aqui do mercado, mas não me disseram que ele tinha paralisia”, conta Isabela. “Quando marquei o encontro, veio a surpresa. Perguntei como era a dinâmica de trabalho dele, como lidava com a deficiência motora. Ele não se vitimiza e procura fazer tudo o que uma pessoa sem deficiência física faz, é uma pessoa incrível. Conversamos e chegamos à conclusão de que eu deveria cortar as chapas a laser numa empresa fora do mercado, e que ele montaria as peças. Assim que o corte ficou pronto, decidimos os encaixes e as soldas. Ele ainda me deu um prazo curto de execução, que cumpriu à risca.”

Já a arquiteta e designer Juliana Vasconcellos escolheu o acrílico para uma nova versão de sua cadeira Planos. “Eu convidei o Wilson Acrílicos para desenvolver a peça. Ela é muito arquitetônica, cheia de planos, encontros e encaixes, só que desta vez resolvi trabalhar a luz e a reflexão dela através das cores do material.” Sobre a exposição ser realizada na área do mercado, Juliana considera: “Estou achando a experiencia maravilhosa. O espaço físico é incrível, é uma nova forma de ocupar o centro de Belo Horizonte e as áreas abandonadas”.

A luminária Mercado, de Francisco Oliveira e Wilson Acrílicos, resgata o modo de fazer placas artesanais, um dos ofícios que ainda resiste no velho Mercado Novo. O conceito da peça nasceu da observação dos efeitos cenográficos da luz que transpassa um dos principais elementos arquitetônicos da fachada: o cobogó. Veja abaixo outras peças em exposição: pendente Xá de fios coloridos de Regina Misk e Flávio Furtunato, da Escala Balanças; dupla de luminárias de teto de André Ferri com José Carlos Tornearia; banco Cobogó de Pedro Haruf e Serralheria do Mangaba; e objetos de alumínio de Thales Pimenta e Augusto Tornearia.

Foto: Dentro Fotografia

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