Com projeto do MM18, o espaço pretende ser um dos mais badalados points de São Paulo. A data de inauguração, porém, continua uma incógnita

Os balcões iluminados conduzem o percurso no labiríntico espaço do bar no subterrâneo do Theatro Municipal.

A inauguração estava marcada para hoje (quinta-feira, 13), mas a estreia do Bar dos Arcos, no subterrâneo do Theatro Municipal de São Paulo, parece estar mesmo encantada. Com cerca de três anos de atraso, a abertura foi adiada mais uma vez por causa da perfuração no encanamento de água por um prestador de serviço. Para saber mais sobre esse novo point da noite paulistana, conversamos com o arquiteto Marcos Paulo Caldeira, sócio do escritório MM18, responsável pelo projeto.

História

“O Salão dos Arcos não existia na época de inauguração do teatro, em 1911. A estrutura de pedra fazia parte das fundações do edifício. Era uma sequência de túneis que ligava o salão às praças em torno do Municipal para canalizar o vento, fazendo com que o ar fresco subisse até a plateia. Nos anos 1980, uma reforma ampliou o pé-direito do salão, com apenas 1,5 m. Escavaram o piso e as fundações ficaram mais expostas para dar lugar a essa área, planejada para comportar eventuais exposições.”

Licitação

“O pessoal que promoveu a licitação em 2016 não pensava em ter ali um bar. O principal objetivo era contar com um equipamento que se relacionasse com a música erudita e também trouxesse o público jovem para o Municipal. Apesar de ter uma programação contemporânea, permanece a ideia de que apenas pessoas mais velhas frequentam o teatro. O bar ajudará a mudar essa percepção.”

Primeira visita

“É nítido o encanto do lugar. Dá para sentir o peso da história do edifício. A técnica construtiva é de outros tempos e os tijolos foram assentados com terra, areia e gordura de baleia Também foi interessante notar o espaço como um labirinto, pois há uma repetição de galerias e arcos. Você entrava ali e ficava circulando sem rumo.”

Projeto

“A parte mais interessante do trabalho foi resgatar esse símbolo para as novas gerações, num momento de redescoberta do centro e de ocupação da cidade. Decidimos não fazer uma sequência de ambientes intimistas, porque deixaríamos as pessoas isoladas, não há ângulo de visão de um ponto para outro. Concentramos a arquitetura em balcões, nos quais as pessoas pudessem ficar sentadas ou em pé na mesma escala. O traçado dos balcões na planta demarca o circuito do labirinto e conduz o percurso.”

Luz e música

“Quisemos destacar o elemento que dá nome ao bar e tirar a atenção do piso de mármore, que não pertence à construção original. Quisemos não só iluminar os arcos, como também as abobadas nos corredores, as pessoas e os drinques. A mudança da intensidade das camadas de luz alterará a percepção do espaço. Essa cenas serão definidas de acordo com o perfil do evento e da música. Ao lado do bar principal, fica um palco para os shows ao vivo. O som ali repercute maravilhosamente bem, tanto que os músicos costumavam ensaiar no local. Era sempre uma boa surpresa quando chegávamos para visitar o espaço e havia alguém tocando.”

Mobiliário

“A principal atração são os balcões luminosos feitos de aço carbono, vidro laminado temperado e malha metálica com fitas de Led. O salão principal é ocupado basicamente pelos balcões e pelas banquetas Stage, desenvolvidas pela Westwing. No salão anexo, criamos ambientes mais intimistas com os móveis fornecidos pela mesma empresa, uma parceria da marca com o bar.”

Desafios

“O maior deles foi o estrutural. Como criar área de alimentação, cozinha e tudo mais, sem parecer que existiam? Nosso máximo esforço foi mostrar o mínimo dessa infraestrutura, e para isso tivemos que descobrir buracos e passagens sobre o piso, foi um trabalho de investigação.”

Inauguração

“A obra está 90% finalizada, agora só faltam ajustes, mas eu ainda não sei te dizer quando o bar finalmente abrirá.”

 

Veja também a matéria da Folha de São Paulo sobre o bar: https://guia.folha.uol.com.br/bares/2018/12/subterraneo-do-theatro-municipal-ganha-bar-comandado-por-facundo-guerra.shtml

Fotos: Divulgação Westwing.

Os móveis foram fornecidos pela Westwing, que produziu a banqueta Stage especialmente para o Bar dos Arcos, cujo projeto é assinado pelo escritório de arquitetura MM18.