Atuação profissional feminina é destaque no “Nobel” da arquitetura e em fórum internacional, em São Paulo

Em semana de Dia Internacional da Mulher, comemorado no domingo (8), o Pritzker Award foi destinado a Yvonne Farrell e Shelley McNamara, fundadoras do Grafton Architects, em Dublin. Essa é a primeira vez que uma dupla feminina vence a mais importante premiação da área. Sete mulheres arquitetas também terão voz no dia 13, sexta-feira, durante o Fórum Internacional de Arquitetura, Design e Construção (FIAC), da Expo Revestir, realizado no Transamérica Expo Center.

Pritzker em mãos femininas

As irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara trabalham juntas há 40 anos, desde que terminaram a faculdade e fundaram o Grafton Architects, sediado em Dublin. São conhecidas por seus imponentes edifícios de concreto e pedra, construídos em diferentes países, como Irlanda, França, Inglaterra, Itália e Peru. As universidades assinadas pelo escritório são referências mundiais. Em 2012, elas receberam o Prêmio Leão de Prata da Bienal de Veneza pela exposição “Arquitetura como nova geografia” e, em 2018, foram nomeadas co-curadoras da 16ª edição do mesmo evento, sob o tema Espaços Livres. Em 42 anos, são cinco agora as mulheres distinguidas com o Pritzker: além das irlandesas, a iraquiano-britânica Zaha Hadid (2004), a japonesa Kazuyo Sejima (do estúdio SANAA, com Ryüe Nishizawa, em 2010) e a espanhola Carme Pigem (do RCR Arquitectes, em 2017). Vale lembrar que dois brasileiros também foram laureados: Oscar Niemeyer, em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.

Fórum em São Paulo debaterá a arquitetura sob a ótica das mulheres

Completando 18 anos em 2020, o Fórum Internacional de Arquitetura, Design e Construção reunirá um grupo de renomadas arquitetas com diferentes olhares no Dia do Arquiteto que acontece em 13 de março, durante a Expo Revestir. Serão debatidos o espaço da mulher no mercado de trabalho e na sociedade. O programa, com curadoria dos jornalistas Fernando Mungioli e Evelise Grunow, prevê a participação de duas profissionais estrangeiras: Maki Onishi, do Japão, e Sol Camacho, do México – essa última também atuante no Brasil; além de quatro brasileiras: Marta Moreira, do escritório MMBB, Mila Strauss, do MM18, Carol Bueno, do Triptyque, e Lua Nitsche, sócia no Nitsche Arquitetos. Na sequência das apresentações, será promovido um debate sobre atuação profissional versus questões da mulher na sociedade, com participação da arquiteta e urbanista Elisabete França.

Maki Onishi

Nascida no Japão em 1983, graduada pela Universidade de Arquitetura de Kioto e com doutorado pela Universidade de Engenharia de Tóquio, Maki Onishi fundou, em 2008, com Yuki Hyakuda, o escritório onishimaki + hyakudayuki / o + h. Os projetos mais renomados da dupla incluem a Double-Helix House (2011), uma casa de 88 m² de três andares construída em Tóquio, e a Casa para Todas as Crianças em Higashi-Matsushima (2013), feita em parceria com o arquiteto Toyo Ito – casas conectadas com espaços diversos para divertir crianças de cerca de 600 famílias que vivem em um complexo de moradias temporárias. A dupla recebeu vários prêmios, incluindo o SD Review Kajima Award de 2007 e o Yoshioka Award de 2012. Maki leciona nas Universidades de Yokohama e de Hosei desde 2013. Trabalha atualmente no Ochoalcubo, no Chile, em parceria com Kauyo Sejima, do escritório SANAA. O projeto visa unir influentes arquitetos e escritórios chilenos e japoneses para proporcionar oportunidades a jovens profissionais, além de fomentar um novo olhar da própria profissão.

Sol Camacho

Arquiteta pela Universidade Iberoamericana da Cidade do México e pela Paris Val de Seine e mestre em arquitetura e urbanismo pela Universidade de Harvard, Sol Camacho fundou, em 2011, o escritório Raddar, em São Paulo. Recebeu o Prêmio Lafarge Holcim Awards (2017) pelo projeto PIPA – conjunto cultural e comercial em Paraisópolis, onde uma sede do escritório desenvolve pesquisa sobre o entorno. Atualmente, é diretora cultural do Instituto Bardi/Casa de Vidro e responsável pelo Pavilhão de Verão, estrutura temporária instalada no jardim da casa, no Morumbi, onde viveu Lina e Pietro Maria Bardi. Sol também responde pelo projeto de revitalização do estádio do Pacaembu, que passará por reforma e ganhará um novo edifício. Foi curadora com outros arquitetos do Pavilhão Brasil na 16ª Exposição Internacional de Arquitetura em Veneza, cujo tema era Muros de Ar.

Elisabete França

Mestre pela FAU-USP e doutora pelo Mackenzie, a arquiteta curitibana, sócia do escritório de arquitetura Studio2E Ideias Urbanas, tornou-se referência, no Brasil e no mundo, com seu conceito de arquitetura de ponta para pessoas de baixa renda. Como superintendente da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) de São Paulo, entre os anos de 2005 e 2012, ela coordenou a contratação de escritórios de arquitetura para realizar 60 projetos de habitação social e urbanização de favelas – desde nomes consagrados como Ruy Ohtake (que fez um conjunto de prédios circulares e coloridos na favela de Heliópolis) até jovens talentos como Marcos Boldarini (que desenhou o Parque Linear Cidade do Céu, à beira da represa Billings). Pelas experiências, que foram destaque em vários países da Europa, Elisabete recebeu o prêmio João Batista Vilanova Artigas do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o prestigiado Scroll of Honour Award da ONU-Habitat. Foi curadora do pavilhão brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2002 e consultora de projetos habitacionais em mais de 15 países. Atualmente, é diretora de Planejamento e Projetos da Companhia de Tráfego de São Paulo (CET) e integra o corpo docente da FAAP, o do núcleo de estudos em Planejamento e Gestão de Cidades (USP Cidades-PECE-Poli) e o da especialização em Habitação e Cidade da Escola da Cidade.

Carolina Bueno

É arquiteta pela École d’Architecture Paris-La Seine, na França, passando pela Suíça e pela Itália na Scuola Politecnico di Milano. É a sócia fundadora da Triptyque, escritório de arquitetura com sedes no Brasil e na França e vencedor de inúmeras premiações em cidades como Nova Iorque, Londres, Paris e São Paulo. A Triptyque está presente na coleção permanente do Centro Pompidou em Paris desde janeiro 2014.

Lua Nitsche

Arquiteta e urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, fundou a Nitsche Arquitetos e Associados, com o irmão Pedro Nitsche, em 2001. É professora de projeto na Escola da Cidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo desde 2009. Na mesma escola, fez pós-graduação no curso Arquitetura, Educação e Sociedade.

Marta Moreira

É graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, FAU-USP, e professora da Escola da Cidade, São Paulo, desde 2001. Professora visitante da Facultad Arquitectura y Diseño de la Universidad Finis Terrae, em Santiago, no Chile, desde 2013. É vice-presidente da Associação de Ensino Escola da Cidade e sócia-fundadora do escritório MMBB, responsável, entre outros projetos, pelo Pavilhão Brasil na Expo Dubai 2020 e pelo Sesc 24 de Maio, em parceria com Paulo Mendes da Rocha.

Mila Strauss

Formada pela faculdade de Belas Artes-SP, com máster pela Universidade Politécnica da Catalunha (Barcelona/2003), Mila trabalhou no escritório de Enric Miralles y Benedeta Tagliabue, em Barcelona, e Zvi Hecker, em Berlim. Em 2008, com Marcos Paulo Caldeira, fundou o escritório MM18 Arquitetura, responsável por diversos projetos comerciais como o do escritório do Airbnb no Brasil, Uber e Vtex.