Apresentada em Frankfurt em 2013, a exposição chega a São Paulo um ano depois da morte do renomado designer gráfico

Considerado um dos mais importantes designers gráficos brasileiros, o paulistano Alexandre Wollner (1928-2018) é retratado em ‘Alex Wollner Brasil: Design Visual’ na sede do Museu da Casa Brasileira, na capital paulista, até 25 de agosto (de terça a domingo). A mostra reproduz o conteúdo da exposição idealizada por Alexandre Wollner, entre 2013 e 2014, junto ao Museu Angewandte Kunst, em Frankfurt. Além de cartazes – 50 originais e reproduções, 25 gravuras, projetos gráficos de livros, vídeos e um resumo de sua trajetória profissional, há um conjunto de marcas corporativas disposto no jardim do museu. “Visitei a exposição na Alemanha e posso afirmar que a daqui está ainda mais bonita”, diz a jornalista Adélia Borges, que entrevistou o designer pela primeira vez em 1988. A exposição revela ainda o talento de Wollner para a fotografia.

Depois de estudar no Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo, e na HfG-Ulm, em Ulm, na Alemanha, ele fundou a Forminform, primeira agência brasileira de design industrial e gráfico, tendo como sócios Geraldo de Barros, Ruben Martins e Walter Macedo. Com o colega e professor Karl Heins Bergmiller, desenvolveu um conceito para educação em design no Brasil, seguindo o modelo de Ulm, e, assim, ajudou a fundar a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, em 1963, a primeira do país nesse segmento e onde lecionou por anos.

“Wollner é um personagem ímpar do nosso design. Advogou a autonomia da profissão e lançou as bases científicas do design gráfico no Brasil. Ele dizia que a publicidade tem alto impacto e vida curta. Já o design gráfico, baixo impacto e vida longa”, afirma Adélia. Para ele, o design corporativo significava mais que o logo correto, abrangendo a comunicação visual completa da empresa, desde o design de interiores dos escritórios às fontes tipográficas e sistemas de sinalização, os meios de propaganda, a embalagem e até o vestuário dos funcionários.

O documentário “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil”, de André Stolarski (1970 – 2013), também está disponível para os visitantes, assim como 25 gravuras produzidas no início dos anos 2010, quando ele retomou as atividades como artista plástico, após várias décadas atuando exclusivamente como designer gráfico.