A instituição terá ainda premiação para designers de interiores no segundo semestre

A Associação Brasileira de Designers de Interiores, com 15 mil associados e 16 regionais pelo país, divulgou nesta semana a 4ª edição do prêmio Láurea Máxima Brasil Design de Interiores, que premia os trabalhos de conclusão de curso. “Premiamos alunos que fizeram TCC individual e vimos uma mudança nas escolas nos últimos anos. Para concorrer, elas se adaptaram a essa exigência e vemos isso como um grande ganho para a qualidade do ensino superior”, afirmou Silvana Carminati, presidente da ABD em entrevista para a Olhares.News.

Vocês lançaram a 4ª edição do prêmio Láurea Máxima Brasil Design de Interiores. O que pode nos contar sobre ele?

No ano passado, tivemos número recorde de inscrições e espero esse número cresça ainda mais neste ano. Ele premia o trabalho de conclusão de curso dos alunos que se formam nos cursos técnicos e na graduação, nos níveis de tecnólogo e de bacharelado. Nós temos como jurados os melhores pesquisadores da área de design de interiores do país, um grupo muito seleto que faz a avaliação dos trabalhos. E só podem participar do prêmio os alunos que fizeram TCC individual. Nós vimos uma mudança nas escolas nos últimos anos. Para concorrer, elas se adaptaram a essa exigência e nós vemos isso como um grande ganho para a qualidade do ensino superior.

Vocês também devem lançar o 1º prêmio para Designers de Interiores. Como será essa iniciativa e quando acontecerá?

Sim, neste ano nós vamos lançar o ABD Design Award, para profissionais, que já estão em atuação no mercado. Nossa intenção é fazer com que os designers de interiores passem a participar mais dos concursos, não só no Brasil. Existem prêmios internacionais importantes em que pouquíssimos brasileiros têm participado, o que vamos incentivar também. E o prêmio da ABD será aberto para designers de toda a América Latina. A premiação se dará em 30 de outubro, que é o dia do design de interiores no Brasil.

 

Como você avalia esse momento para os profissionais da área?

Nós estamos vivendo um momento de grande crise com essa pandemia, e nem bem saímos de uma recessão. Há uma quantidade enorme de pessoas desempregadas, inclusive na nossa área. E nosso trabalho exige o contato humano, é importante estar preto do cliente para entender o que ele quer. O trabalho fica difícil com o cenário atual. Agora, sem analisarmos essa pausa, nós estamos passando por um período muito importante para o design de interiores, em que ele passa a ser visto como essencial para a definição de lares, escritórios corporativos, lojas, hospitais e todo tipo de projeto. Fora do país, a profissão já é muito bem vista, mas no Brasil ainda se confunde muito com a do arquiteto. Agora o brasileiro está entendendo quem é esse profissional. Na cidade de São Paulo, temos prevista a abertura de mais três cursos novos no ano que vem. Isso tudo é muito importante para nossa área.

 

Como tem sido a demanda dos associados durante a quarentena?

A ABD está trabalhando remotamente, promovendo eventos online. E é um momento de muitas transformações. Quando sairmos da quarentena, será uma nova ABD. O momento pede isso. Tínhamos um planejamento para começar 2021 com o lançamento de uma série de cursos online, mas vimos a urgência disso, em função dos eventos que não podem ser presenciais. A demanda do associado cresceu no “Fale Conosco”, que é o canal por onde entram as solicitações. Tivemos 60 consultas só na semana passada, com dúvidas simples sobre contabilidade, mudança de contrato, como usar a nova tabela de honorários da ABD, e outras. Estamos fazendo um trabalho com essa tabela para que o profissional não pense mais em vender metro quadrado, já que o trabalho é completamente intelectual, com horas de criação em cima de uma planta. E os preços podem ser diferentes em função do escritório de cada um. Essa nova tabela faz pensar nisso.

 

Quais serão as principais dificuldades pós-pandemia na sua avaliação?

Ao certo não sabemos qual será o cenário. Acredito que o período de reclusão será pequeno e que nossos profissionais voltem com tudo para os escritórios para atender os clientes, finalizar projetos. Tivemos o adiamento da Casa Cor que é a principal exposição desse mercado e provavelmente vamos ter menos eventos no segundo semestre. O mesmo acontece com a ABD, provavelmente teremos que reduzir nossa programação e estendê-la para o início do próximo ano. Se a paralisação for mais longa, espero que nossos governantes possam nos ajudar, pois isso será muito ruim para as pequenas e médias empresas.

 

Como a associação pode ajudar o mercado? Vocês estão planejando estratégias para isso?

Nós mudamos completamente nossa atuação para levar conteúdo para nosso associado e para designers de interiores de forma geral, como já disse. A partir do próximo mês já acontecerão cursos online bem importantes. Não vamos deixar o profissional sem informação. A ABD se transformou toda para isso, a equipe está de parabéns. Tem coisa muito boa sendo produzida.

 

Você acredita que nossas casas serão diferentes depois da pandemia? Se sim, o que mudará?

Sim, mudarão completamente. Com todo mundo trabalhando dentro de casa, estamos entendendo esse espaço melhor. A casa passa a ser vista como um recipiente simbólico. É onde pensamos, planejamos nossa vida. Tem um vasto campo para o design de interiores ajudar a conceber essa casa mais inteligente, que vai muito além do lugar onde se come e dorme.